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17 novembro, 2013

OS DONOS DO SHOW


Trailer do documentário Showrunners, de Des Doyle e John Wallace, que mostra a rotina insana dos profissionais da TV responsáveis por criar, roteirizar e supervisionar todos os elementos de produção de séries como Lost, Boardwalk Empire, The Big Bang Theory, The Shield, Once Upon a Time, Bones, Revenge, House, The Good Wife, entre outras.

Eles movem um dos principais produtos de exportação do mercado de entretenimento americano. E precisam aprender a lidar com as imensas expectativas de milhões de fãs ao redor do mundo que dedicam horas e horas de suas vidas mergulhados em suas histórias.




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03 setembro, 2013

FUTURO DA TV - Temporada 3 episódio 2



Saiu o 2o episódio da 3a temporada da websérie 2020 Vision da Think TV. Através de entrevistas com especialistas do mercado, a série explora o futuro do mercado televisivo e da publicidade no cenário da convergência tecnológica e cultural.

Neste segundo episódio, Marc Pritchard (Procter & Gamble), Luke Dunkerley (Woolworths) e John Hegarty (BBH).

EPISÓDIO 2: “DRIVING GROWTH”:




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13 agosto, 2013

FUTURO DA TV - Temporada 3 episódio 1



Lembra da websérie 2020 Vision sobre o futuro da TV que postei aqui no blog? (Você pode assistir à 1a temporada aqui e à 2a aqui). Pois agora o pessoal da Think TV está lançando a 3a temporada. Usando o mesmo formato das anteriores - entrevistas com especialistas da área -, a série explora o futuro do mercado televisivo e da publicidade no cenário da convergência tecnológica e cultural.

Neste primeiro episódio, Kevin Mayer (Volkswagen), Jeff Goodby (GSP) e John Hegarty (BBH) discutem a importância de criar conexões com audiência.

EPISÓDIO 1: “CREATING CONNECTIONS”:


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17 março, 2013

Autora de "Friends" diz que séries substituirão as novelas na TV brasileira


Em visita ao Brasil para treinar os roteiristas da Globosat, Marta Kauffman, coautora de Friends, disse ao Estadão que o principal produto de exportação da televisão brasileira está com os dias contados. A declaração tem causado certa polêmica. E você, o que acha?

Reproduzo abaixo o artigo "Adeus às Novelas", de João Fernando, para o Estadão de 15/03/2013:


Marta Kauffman
"Assim como acontece com as novelas, parece que a maioria das séries de vocês têm uma ideia limitada. Nos EUA, a primeira coisa que você se pergunta  é: isso pode durar cinco ou dez anos? De onde virão outras histórias? Essa será a mudança", analisa a autora, que não se lembra do nome das atrações que viu. "Uma era sobre uma família e a outra era uma coisa policial", conta. Questionada se o segundo programa era o seriado Força-Tarefa (Globo), ela concorda.

Em uma palestra aos roteiristas, na terça passada, ela reforçou a opinião de que as tramas da noite estão com os dias contados. "Direi coisas que vão deixá-los tristes. A telenovela não vai ser o primeiro gênero de entretenimento, não vai funcionar mais. Todo mundo tem de pensar algo diferente a ser feito. As pessoas não veem mais TV como antes. Quando a novela acaba, ninguém vê no DVD nem assiste no YouTube", avalia.

Para ela, produzir programas com temporadas é o caminho da TV. "Acho que isso está evoluindo aqui. Minha esperança é que o mercado saiba que é preciso fazer um investimento para os próximos anos. Nos EUA, tudo está acontecendo na TV e nas séries para internet. Há outras maneiras de contar histórias."

Agora, Marta está envolvida na produção de Call me Crazy: A Five Film, continuação do filme para TV Five, sobre mulheres com câncer de mama. "Descobri que gosto de fazer as pessoas chorarem assim como faço rir", aposta. Ela, porém, afirma que não fará uma versão de Friends para o cinema. "Não há esperança. Prefiro que as pessoas fiquem querendo que aconteça em vez de desapontá-las. É um programa com muitas câmeras, difícil de transformar em filme. E as pessoas envelhecem. Vão passar metade do filme falando: 'Nossa, ele está acabado'. Não podemos fazer o que já fizemos. Vamos deixar todos querendo mais."



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22 janeiro, 2013

Jenkins fala sobre "virais", web 2.0 e produção de fãs


Esta é uma deliciosa entrevista em duas partes com o mestre Henry Jenkins, realizada por ninguém menos que Frank Rose (quem foi meu aluno já está cansado de ouvir sobre os dois autores). 

Nela, Jenkins fala sobre como a utilização errada da expressão "fazer um viral" pode ser prejudicial à essência da cultura participativa, e revela alguns dos principais argumentos levantados em sua mais nova publicação, Spreadable Media: Creating Value and Meaning in a Networked Culture (cuja autoria divide com Sam Ford e Joshua Green).

Leia as duas partes da entrevista na sua íntegra (e em inglês) aqui e aquiAbaixo, compartilho alguns highlights:



“A expressão ‘fazer um viral’ presume uma falsa ideia de controle em uma época em que as organizações possuem cada vez menos domínio sobre como seu conteúdo circula em uma cultura convergente.”

“Vamos começar fazendo uma distinção ente cultura participativa e web 2.0. A atual cultura da participação é resultado de uma extensa luta das comunidades para garantir maior poder de influência sobre decisões que impactam suas vidas. Já a web 2.0 é um modelo de negócios que busca captar esta essência e tirar proveito do desejo de participar do público. (...) Muito do que inicialmente se escreveu sobre web 2.0 pressupõe um mundo onde os interesses das empresas e dos que usam seus serviços estão perfeitamente alinhados. Entretanto, nos últimos cinco ou seis anos, toda grande organização se viu no centro de alguma controvérsia à medida que seus usuários se rebelaram contra aspectos de seus termos de serviço (incluindo disputas sobre censura, copyright, violação de privacidade, data mining e práticas publicitárias).”

“Não tenho certeza se posso oferecer uma solução concreta ou um modelo que funcione melhor – até porque a solução provavelmente não será do tipo ‘um tamanho serve para todos’ – mas espero que o livro encoraje um processo de comunicação mais ativa entre empresas e as comunidades as quais desejam servir.”


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07 setembro, 2012

Bate papo com Emily Mortimer



Nesta quarta-feira tive a oportunidade de participar, no New York Institute of Technology, de um screening da nova série da HBO, The Newsroom (HBO), do veterano Aaron Sorkin, seguido de um bate papo com Emily Mortimer, a atriz britânica que faz a personagem Mackenzie MacHale. Aqui estão os melhores momentos da conversa:


   - Ela aponta o script fantástico de Sorkin entre as principais razões para aceitar esse papel - já que sua experiência vem basicamente do cinema e do teatro.

   - Tendo crescido na Inglaterra, onde chove a maior parte do tempo, passava horas na frente da TV assistindo a filmes antigos na BBC 2 ao invés de brincar na rua. Além disso o seu pai, Sir John Mortimer, era um estimado roteirista da BBC (além de advogado, o que ela reconhece ser uma combinação muito estranha).

   - Ela adora Frank Capra e as comédias dos anos 40, e o ritmo frenético dos diálogos de The Newsroom a fez lembrar imediatamente do clássico Jejum de Amor (His Girl Friday) e da química entre Cary Grant e Rosalind Russell. O script também a fez lembrar de alguns de seus filmes favoritos, como Nos Bastidores da Notícia (Broadcast News) e Rede de Intrigas (Network). Outra comparação que fez foi com a série A Gata e o Rato (Moonlighting), mas essa ela morre de vergonha de dizer para Sorkin.

   - Também a fez lembrar das comédias de Shakespeare, que normalmente também trazem dois casais centrais, um mais velho e sofrido e outro mais jovem e cheio de inseguranças. Além disso, na sua opinião Sorkin escreve em verso, assim como Shakespeare. Não que existam rimas, mas ele tem uma dedicação especial ao ritmo e à melodia dos diálogos. Ela ri e brinca que talvez isto se deva ao fato de Sorkin ser apaixonado por musicais - na verdade existem várias referências a musicais em todos os seus roteiros.

   - O processo de seleção para o papel foi longo e assustador. Ela teve que fazer mais de quatro audições, para diferentes grupos de pessoas. Sentiu-se como se estivesse no X Factor, pois nunca antes teve que impressionar tantas pessoas. E a cada audição Sorkin enviava mais de 20 páginas para ela decorar.

   - Sorkin é extremamente controlador e apesar de trabalhar com uma equipe de roteiristas, é ele quem escreve cada uma das falas e quem aprova a mudança de cada vírgula no texto.

   - Quando questionada sobre sua personagem, Mackenzie MacHale, ela diz que seu grande desafio é representá-la como uma mulher forte mas ao mesmo tempo frágil. Personagens na TV hoje são multifacetados, o que ela acredita ser uma fantástica evolução, afinal ninguém é 100% mocinho nem 100% vilão, todo ser humano é um pouco de cada. Para ela, você pode ser uma pessoa sensacional e ao mesmo tempo ser um assassino, enquanto outro pode ser uma pessoa absolutamente terrível porém nunca ter recebido nem uma multa de trânsito na vida.

   - Se quiser conferir o talento e a versatilidade da atriz, não deixe de assistir aos filmes Bright Young Things, Lars and The Girl e Match Point.

21 abril, 2012

Dica de livro: “Social TV”

Reproduzo aqui meu artigo publicado no blog Televisual em 30/03/2012.


Desde que foi apontada em 2010 como uma das principais novas tendências pelo MIT Technology Review, a TV social (leia mais aqui e aqui) segue sendo o hot topic na pauta de executivos de emissoras e de publicidade nos EUA. Afinal, a repercussão nas mídias sociais está se tornando cada vez mais o termômetro da popularidade de um programa de TV ou marca, e empresas especializadas em métricas para a TV social (como a BlueFin Labs) já se autoproclamam o “novo Nielsen” (ou Ibope, no caso do Brasil). Apesar de ser um pouco cedo para jogar fora os velhos índices de audiência, sem dúvida seria miopia criar, hoje em dia, um programa ou campanha publicitária sem levar em consideração o seu potencial de interatividade e de viralização na rede.

No Brasil o assunto ainda não pegou fogo de verdade, apesar de já existirem artigos na mídia sobre o poder da segunda tela e seus aplicativos. Talvez o lançamento de um best seller como Social TV, de Mike Proulx e
Stacey Shepatin - o primeiro livro a se dedicar exclusivamente ao assunto - seja o incentivo que nos falte. Por enquanto ainda não há previsão de lançamento em português, mas quem sabe o sucesso que o livro está fazendo lá fora estimule uma de nossas editoras a investir.

Apesar da realidade do livro parecer um pouco distante da nossa (afinal serviços de VOD e streaming, como NetNow, Netflix e iTunes, só chegaram aqui ano passado), acredito em três pontos cruciais que não podem ser menosprezados pelos anunciantes e executivos de marketing:

Primeiro: De acordo com a pesquisa da Motorola Mobility, além de serem os consumidores da América Latina que mais usam dispositivos móveis para ver TV, os brasileiros gastam 6 horas por dia em redes sociais, número semelhante à média global. O estudo reforça a questão de que as redes sociais mudaram a experiência de ver televisão no país: 43% já usaram as mídias sociais para recomendar um programa à outra pessoa, e 82% responderam que usaram a TV social em 2011.

Segundo: No país das novelas, onde a cultura do “você viu ontem à noite?” já faz parte do DNA da população, o prazer do programa em tempo real fala mais alto. Alguns exemplos de que a TV social está bem viva no país: a reprise de Vale Tudo em 2011 colocou o Viva na liderança entre os canais pagos entre 0h45 e 1h45, e muito desta popularidade se deu graças à conversação gerada em tempo real nas redes sociais; o último capítulo de Fina Estampa bateu recorde ao colocar a novela nos Trending Topics na categoria Brasil e Worldwide; e para não ficar só nas novelas, há poucos dias o Universal Channel fez um ação do tipo "Watch and Tweet" durante a estreia da nova série Smash no Brasil.

Terceiro: Nossa posição é vantajosa à medida que podemos aprender com os casos de tentativa e erro das marcas no hemisfério norte. Quando nossa realidade de mercado estiver mais próxima à do mercado americano, já saberemos quais as estratégias que fracassaram e quais funcionaram.


Enquanto a edição em português não sai, aqui está um trecho da entrevista do autor concedida ao blog Lost Remote:


O QUE O INSPIROU A ESCREVER O LIVRO?

Existem várias fontes que discutem as transformações do mercado televisivo atual, mas mesmo assim eu sentia falta de algo que "ligasse os pontos" e analisasse o que todas estas mudanças significam para os anunciantes. A publicidade costumava ser simples, mas hoje a televisão transcende veículos, canais e plataformas. Apesar de esta nova realidade ser emocionante, ela também se torna cada vez mais complicada (e intimidante) para as marcas. A TV voltou a ser uma "mídia nova". Por isso, escrevemos o livro para que fosse um guia para as marcas, à medida que elas experimentam e aprendem a lidar com estas transformações.


VOCÊ PODERIA RESUMIR O LIVRO EM 140 CARACTERES?
Sim, até em 130: “Como marketeiros podem atingir e envolver a audiência combinando a estratégia de TV com a web, mídias sociais e plataformas móveis”. Este na verdade é o subtítulo do livro.

E para finalizar, alguns dos vídeos sobre dois apps da TV social que são citados no livro:

MISO SIDESHOW:


INTONOW:



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Interessado em marketing de experiência, segunda tela, engajamento de fãs e na aplicação da narrativa transmídia e do storytelling na comunicação de sua empresa? Então dá uma conferida no curso STORYTELLING E TRANSMÍDIA PARA MARCAS da Escola de Criação ESPM-Sul. Matrículas abertas.
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13 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 13 dias



“Matthew Weiner no New York Times”

O criador e produtor executivo da série fala com o jornal New York Times sobre a tão aguardada nova temporada de Mad Men. Para ler a entrevista clique aqui.

07 fevereiro, 2012

Dickens, o precursor da teledramaturgia



Leitura obrigatória nas escolas dos países de língua inglesa, Charles Dickens seria algo equivalente aos nossos queridos Machado de Assis e Jorge Amado, tanto em importância como em popularidade. Suas obras são, junto com as de Jane Austen, campeãs de adaptações da BBC (mais aqui). Exímio storyteller, Dickens criou personagens atemporais, multifacetados e cativantes. E como suas obras foram escritas em formato serializado, elas se adaptam facilmente à linguagem televisiva. Foi ele inclusive quem popularizou o cliffhanger (gancho), um recurso narrativo muito usado na TV para deixar o público na expectativa do próximo episódio.

Hoje Dickens estaria completando 200 anos. Por isso, Jace Lacob, do 
Daily Beast, resolveu perguntar aos roteiristas das séries Lost, NCIS, Big Love e Veep  qual a influência que o autor vitoriano teve em suas carreiras. Abaixo um resumo das respostas (versão completa em inglês aqui).

Gary Glasberg (de NCIS)
"Não consigo deixar de imaginar o que Dickens acharia da TV. Horas e mais horas de histórias de mistério, suspense e comédia produzidas no decorrer de um ano... Pensando bem, ele daria um excelente roteirista para a TV... Ei Charles, se você está disponível, tenho duas vagas para freelancer. E não se preocupe com os intervalos comerciais. Nós inserimos eles depois."

Damon Lindelof (de Lost)
"Acho que poderia dizer tranquilamente que Lost não existiria sem Charles Dickens. Ele é uma grande inspiração para tudo que amo em storytelling. A forma como ele publicava suas obras, em capítulos mensais, popularizou o storytelling serializado. E isso mais de um século antes da invenção da TV. Além disso, ele mudou o final de Great Expectations quando seus leitores reclamaram... Bom exemplo de como escutar sua comunidade de fãs."

Carlton Cuse (de Lost)
"Dickens foi o mestre irrefutável dos cliffhangers. Ele contava histórias serializadas, complexas e cuidadosamente construídas em torno dos personagens, que eram publicadas em jornais e atraíam um enorme público. Então nós pensamos, por que não podemos usar o mesmo modelo para Lost? Ele faz você querer saber não apenas o que vai acontecer depois, mas o que vai acontecer com aquele personagem especificamente. Isso se tornou mandatório entre os escritores de Lost: a mitologia é importante, mas mais importante ainda é contar uma história convincente e envolvente a respeito de nossos personagens."

Armando Iannucci (de Veep e The Thick of It)
"Em Little Dorrit, por exemplo, que mostra o quanto o governo e a burocracia não funcionam, admiro sua habilidade de ir do cômico para o dramático ou mordaz num pulo, e seu talento para manter a trama se desenrolando em três níveis diferentes."

Will Scheffer e Mark V. Olsen (de Big Love)
"Nosso personagem favorito é Oliver Twist, porque nos faz mergulhar no universo da pobreza (um ótimo recurso para apresentar este mundo aos leitores educados e de alto poder aquisitivo da época). É também um retrato do próprio artista, que sabe que, como Oliver, está destinado a algo maior."


31 janeiro, 2012

Como adaptar um clássico literário para a TV, por Andrew Davies


Em sentido horário: Little Dorrit, Bleak House, Tipping the Velvet,
He Knew He Was Right, Little Dorrit, Orgulho e Preconceito

Andrew Davies. O nome não soa familiar? Pense numa adaptação de um clássico literário, uma daquelas extraordinárias produções de época que a televisão inglesa - em especial a BBC - sabe fazer com incomparável competência. Lembrou de alguma? Pois é muito provável que tenha sido adaptada para a telinha por Andrew Davies, um dos mais requisitados e bem sucedidos roteiristas quando o assunto é adaptação de clássicos da literatura britânica. Entre seus vários trabalhos destacam-se:

House of Cards (1990), Emmy de melhor roteiro
Middlemarch (1994), WGA de melhor roteiro
Orgulho e Preconceito (1995), WGA de melhor roteiro
Emma (1996)
Bleak House (2005), BAFTA de melhor roteiro
Little Dorrit (2008), Emmy de melhor roteiro
South Riding (2011)

Aqui estão 10 dicas deste premiado roteirista sobre como adaptar um clássico literário para a TV, publicadas no jornal The Telegraph e traduzidas abaixo:

1. Leia e releia o livro. Mergulhe na história, nos personagens, na língua, nas emoções que a obra faz emergir. Só assim você poderá detectar as passagens ideais para dramatizar, e aquelas que darão um pouco mais de trabalho.
2. Pergunte-se: por que este livro, e por que agora? Muitos livros lidam com temáticas atemporais, relevantes através dos anos. Um romance que se passa nos EUA durante a Grande Depressão do final dos anos 20, por exemplo, pode ter muitos paralelos interessantes com a atual crise econômica mundial, por exemplo. Em The Way We Live Now, que se passa na Inglaterra de 1875, usei o famoso discurso “A ganância é boa” de Gordon Gekko do filme Wall Street como referência para uma fala de Melmotte, um personagem ganancioso e trapaceador.
3. Pergunte-se: sobre quem afinal é essa história? Nem sempre é óbvio. Em Orgulho e Preconceito, Jane Austen conta a história do ponto de vista de Liz Bennet. Mas a história é também sobre a jornada de Mr. Darcy. Então eu permiti que a audiência visse Darcy a sós, ou com outras pessoas que não Liz, para que também o conhecem e o compreendessem melhor. 
4. Não tenha medo de fazer mudanças, principalmente na abertura da história. Na ficção literária, especialmente nos clássicos de época, os primeiros parágrafos costumam trazer com um texto mais brando, para introduzir a história ao leitor de forma mais suave. Na TV precisamos abrir com uma cena visualmente (e emocionalmente) forte, causar uma forte impressão imediata, para prender a audiência.
5. Não comece sem ter um plano. Tente começar com uma idéia clara de quantos episódios terá, e como cada um deles terminará, qual será o “gancho”. Conceber a estrutura de uma história seriada é uma das tarefas mais difíceis, especialmente se baseadas em textos extensos e enredados como Bleak House e Vanity Fair.
6. Nunca use uma fala se puder alcançar o mesmo efeito com um olhar. Uma das cenas mais tocantes da minissérie Orgulho e Preconceito, por exemplo, é quando Liz salva a irmã de Mr. Darcy de um momento embaraçoso na sala de música de Pemberley. Nenhuma fala poderia ser mais eficiente do que o olhar trocado pelo casal naquele momento.
7. Reduza os diálogos, mantenha a essência do autor. Sem dúvida os diálogos são importantes, em especial quando produzidos por talentosos escritores. Mas às vezes é possível preservar a essência do texto usando somente os melhores trechos.
8. Por que escrever cenas que não existem no original? Simples, porque a ficção na TV é muito diferente da literária. Às vezes é preciso inventar cenas inteiras para amarrar melhor a historia, e neste caso é importante cuidar para que os diálogos soem naturais, ou seja, que conservem o tom do autor.
9. Evite voice-overs, flashbacks e personagens falando direto para a câmera. Este tipo de recurso pode “roubar” uma cena, transferindo a atenção da trama para o recurso em si. Tendo dito isso, confesso que já usei os três recursos. E com o ator certo dirigindo-se para a câmera, como o brilhante Ian Richardson em House of Cards, o resultado pode ser fantástico.
10. Quebre as regras quando sentir que é a coisa certa a fazer.



19 janeiro, 2012

Por que a TV atrai cada vez mais nomes consagrados do cinema?

Reproduzo aqui minha entrevista publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora, em 11/01/2012. Link original aqui.


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Zero Hora — Por que razão muitos nomes conhecidos e com a carreira em alta no cinema estão investindo em projetos na TV?
Sheron Neves – A TV não é mais o destino de artistas em fim de carreira, como se costumava pensar. Muito pelo contrário. Para os atores, ela hoje oferece a oportunidade de fazer algo mais desafiador e gratificante, além de uma média de 10 horas por temporada para desenvolver um personagem. O mesmo vale para produtores, diretores e roteiristas, que encontram na TV por assinatura total liberdade para experimentar, criar tramas densas e explorar temáticas tabu.

ZH – Canais por assinatura dos EUA, como HBO, Showtime e AMC, são as grandes referências nesse modelo de produção?
Sheron – HBO (Game of Thrones, Boardwalk Empire, True Blood) e Showtime (Dexter, Homeland) são sem dúvida as grandes referências, por serem canais premium (mais caros que o pacote básico) e não dependerem de anunciantes, e sim de assinantes. Por isso seus executivos não se acovardam com a possibilidade de o público não entender ou se ofender com algo. Já a AMC (Mad Men, Breaking Bad, Walking Dead) e a FX (Nip/Tuck, Damages, American Horror Story) são um meio termo: são canais a cabo e têm um público seleto, entretanto dependem de anunciantes e por isso estão atrelados aos índices de audiência.

ZH – Esse patamar de qualidade é possível de ser alcançado apenas na TV por assinatura ou poderia ser aplicado na TV aberta?
Sheron – Alguns vanguardismos ficam, é claro, restritos à TV por assinatura premium e à TV pública. Ambas podem se dar ao luxo de correr riscos por não precisar agradar anunciantes. Mas, obviamente, este novo patamar de qualidade acaba respingando na TV aberta, numa espécie de efeito cascata. O fato de um personagem complexo como House ser um sucesso estrondoso da TV aberta é prova deste efeito. A TV por assinatura criou mafiosos (Tony Soprano), psicopatas (Dexter), traficantes (a Nancy de Weeds) pelos quais nos apaixonamos, porque enxergamos (ou ao menos queremos enxergar) o lado humano deles. House é um típico personagem da TV por assinatura, mas que nasceu na TV aberta justamente devido a estas mudanças. Já no Brasil, os excelentes seriados Capitu e Clandestinos mostraram que existe espaço para produtos mais inteligentes e inovadores. Outra influência da TV por assinatura é o crescimento de comédias sem as tradicionais risadas de fundo (em inglês, "laugh track") da TV aberta, como The Office, Modern Family e 30 Rock. O sucesso destas séries prova que o público não quer mais tudo mastigado, um recurso tão antigo quanto I Love Lucy.

ZH – Dado ao padrão variado de gêneros, de Mad Men a The Walking Deade ao melodrama Mildred Pierce e ao fabular Game of Thrones, seria possível traçar um perfil de qual é o tipo de produção que pode dar certo ou não?
Sheron – Não acredito que exista uma fórmula de sucesso. O importante é não subestimar a inteligência da audiência, não ficar preso a fórmulas, e focar em personagens interessantes e multifacetados. A tendência é existir cada vez menos espaço para o velho maniqueísmo folhetinesco da luta do bem contra o mal.

ZH – Quais atrações vocês destacaria, entre as recentes e as nem tanto, como responsáveis por elevar a TV a um novo padrão de qualidade e por que razão?
Sheron – Algumas pessoas comentam que ano desta transição foi 1990 com Twin Peaks, de David Lynch. Twin Peaks foi sem dúvida um caso raro, assim como Riget, a bizarríssima série escrita e dirigida por Lars von Trier para a TV dinamarquesa no início dos anos 1990. Elas são consideradas (felizes) acidentes de percurso por muitos autores, mas a maioria considera A Família Soprano (1999), da HBO, o marco zero oficial. Na carona de Tony Soprano vieram Sex and the City e A Sete Palmos, e pela Showtime a versão americana de Queer as Folk, seguida de The L Word e Weeds. A maturidade do público, que é hoje bem mais exigente e crítico, pode ser apontada como uma das causas para esta transformação. Alguns autores também citam o fator prestígio. A partir da virada do século, a TV por assinatura começou a receber uma enorme quantidade de prêmios e a gerar muito buzz na mídia. A ideia da TV como algo desprezível e alienado começou a desaparecer, passando a ser vista pela primeira como arte. Não foi por acaso que a HBO adotou o slogan: "Não é TV. É HBO". Se a HBO não é TV, então quem consome também não é qualquer telespectador. O prestígio se transfere do produto para o consumidor: "Se consumo HBO então sou parte de uma elite, tenho capital cultural". Uma estratégia de marketing brilhante.

ZH – Essa realidade é uma tendência com prazo de validade ou tende a se consolidar?
Sheron – Sem dúvida, esta tendência deve muito ao fato do cinema estar cada vez mais comercial. As produções independentes e mais autorais encontraram na TV fechada um porto seguro. Se você escutar os discursos de agradecimento durante os prêmios Emmy e Globo de Ouro vai escutar: "Obrigado HBO por acreditar" dezenas e dezenas de vezes. Vivemos um momento único na história da televisão, e não é a toa que existe um boom de cursos de graduação e pós-graduação nesta área no hemisfério norte, e a tendência vem aos poucos chegando ao Brasil. O mesmo acontece com publicações e livros acadêmicos nesta área. O que ainda falta aqui é mais espaço na imprensa para debater a TV de forma inteligente, uma crítica mais especializada, como ocorre nos grandes jornais internacionais. Quanto mais informado o público estiver, maior é a chance de torcer o nariz para programas banais.

ZH – Ainda faz sentido usar as distinções linguagem cinematográfica e linguagem televisiva?
Sheron – Esse assunto é polêmico e já foi tópico de longas discussões acadêmicas. Não há dúvida que a TV tem se apropriado da linguagem e da estética cinematográfica (altos valores de produção, narrativa mais lenta, personagens e finais ambíguos), mas o elemento que sempre irá diferenciar os dois é a narrativa serializada. O arco da história em um episódio de uma hora na TV aberta é diferente do arco em um episódio na TV fechada, que por sua vez sempre será diferente do arco de um filme de duas horas.

ZH – Poderia se afirmar que é mais fácil identificar um público alvo numa produção para a TV fechada e mirar direto nele sem fazer concessões?
Sheron - A televisão, infelizmente, ainda produz muito lixo, mas o cinema também o faz, assim como a indústria fonográfica e o mercado editorial. A TV não é sozinha responsável pela banalização cultural. E, assim como em todos estes mercados, existem nichos específicos para os quais certas coisas funcionam melhor. Mas não confio muito em segmentações etárias, sociais, ou regionais, pois podem ser rótulos um tanto simplistas e excludentes. Produtores de TV não deveriam presumir o que o público gosta com base nestes rótulos. Com as mídias sociais cresce cada vez mais a necessidade de se levar em conta o perfil psicográfico (baseado nos valores e estilo de vida e menos em fatores demográficos). Quando pessoas se agrupam online, seja através de comunidades de fãs ou nas redes sociais, elas não o fazem baseadas em idade, raça, ou gênero. Elas o fazem em torno de interesses e aspirações. O mesmo vale para o que elas assistem.

ZH –A rede britânica BBC tem um longo histórico de produções de alto nível para a TV, com presença de grandes atores. Dá para comparar com o padrão americano ou o foco deles é, digamos, mais clássico?
Sheron – Não sei se clássico, mas certamente é mais compromissado com a cultura. No Reino Unido, a TV tem um DNA completamente diferente da americana, pois já nasceu pública, e só teve que enfrentar concorrência comercial anos depois. A BBC é literalmente sustentada pelos cidadãos britânicos, através de uma taxa obrigatória que equivale a aproximadamente 350 reais por ano, somente para ter uma TV ligada em casa. Desta forma ela tem um compromisso com o público, e leva a sério seu lema "educar, informar e entreter". Outra grande diferença é que os britânicos sempre foram mais tolerantes em relação a temas tabu, e as tramas tendem a ser bem mais realistas e menos açucaradas. Já nos EUA, a TV nasceu comercial, com os patrocinadores ditando as regras dos programas desde o início. Como o foco sempre esteve nos níveis de audiência, tramas complexas e narrativas mais lentas nem sempre encontram ali um terreno fértil. O excessivo moralismo da sociedade americana também é determinante. Skins, por exemplo, é uma série inglesa que mostra adolescentes tendo relações sexuais e consumindo drogas. No seu país de origem é transmitida às 22h em canal aberto sem grandes problemas. Já nos EUA, Skins causou tamanha polêmica e boicotes pelo PTC (Parents Television Council) que a maioria dos anunciantes cancelou o patrocínio por medo de prejuízo nas vendas e na imagem da empresa. Por isso muitos remakes de séries britânicas não funcionam na TV aberta americana (com raras exceções como The Office).

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