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06 outubro, 2014

TWIN PEAKS voltará em 2016


Você não está sonhando. É verdade. O canal a cabo premium Showtime acaba de anunciar que trará de volta a série de TV ultra-super-hiper cult de David Lynch, Twin Peaks.

Não acredita? Então dá uma olhadinha no vídeo publicado hoje no canal da Showtime no Youtube. E aguarde mais novidades aqui (assim que esta que vos escreve se recuperar do susto que levou com a notícia...)


18 dezembro, 2012

Homeland vira arte minimalista


O genial designer californiano Ty Mattson, que já criou posters para Lost e Dexter (leia aqui) acaba de criar belíssimas imagens retrô para Homeland, cujo finale foi transmitido ontem no canal Showtime americano. Grande fã da série, ele se inspirou nas capas de discos de jazz dos anos 50 e 60 - aquelas com ilustraçōes minimalistas, a la Saul Bass, que tanto amamos – justamente o tipo de música favorito da personagem de Claire Danes.

Sem dúvida a melhor fan art dos últimos tempos.



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21 março, 2012

Dexter ganha campanha transmídia no formato de um ARG



Para criar hype em torno da 5ª temporada de Dexter, a Showtime encomendou um ARG que fosse, nas palavras da empresa, "como uma espécie de leitura de férias para a geração Y".

O desafio caiu nas mãos de Howard Goldkrand da Modernista!, que criou um universo alternativo onde o resultado da história foi determinado pela própria audiência, que teve a oportunidade de perseguir um serial killer e atuar como justiceira tal qual o personagem de Dexter Morgan. Para tornar a ação ainda mais interessante, vários elementos do ARG foram posteriormente inseridos na série, e são reconhecidos somente pelos fãs que participaram do game.





O kick off se deu na San Diego Comic-Con, onde um "assassinato" foi simulado. A partir daí seguiram-se inúmeras pistas e enigmas, espalhadas tanto no mundo virtual (websites, perfis de redes sociais, vídeos) como real (anúncios em classificados, ligações telefônicas), as quais os participantes precisavam desvendar em conjunto para que novas fases fossem liberadas. Na perseguição ao "Infinity Killer", o grande vilão, os participantes contaram com a ajuda profissional da personagem Dee Pratt, uma ex-agente do FBI. Na opinião de Howard Goldkrand, o ARG de Dexter confirma a importância da narrativa transmídia para o futuro do marketing. Ao dar às pessoas um objetivo em comum e instrumentos para formar uma comunidade, ele acredita que um nível mais profundo de envolvimento e intimidade entre marca Dexter e fãs foi gerado.


Assista ao vídeo do case (atenção: pode conter cenas de violência)





         


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19 janeiro, 2012

Por que a TV atrai cada vez mais nomes consagrados do cinema?

Reproduzo aqui minha entrevista publicada no Segundo Caderno do jornal Zero Hora, em 11/01/2012. Link original aqui.


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Zero Hora — Por que razão muitos nomes conhecidos e com a carreira em alta no cinema estão investindo em projetos na TV?
Sheron Neves – A TV não é mais o destino de artistas em fim de carreira, como se costumava pensar. Muito pelo contrário. Para os atores, ela hoje oferece a oportunidade de fazer algo mais desafiador e gratificante, além de uma média de 10 horas por temporada para desenvolver um personagem. O mesmo vale para produtores, diretores e roteiristas, que encontram na TV por assinatura total liberdade para experimentar, criar tramas densas e explorar temáticas tabu.

ZH – Canais por assinatura dos EUA, como HBO, Showtime e AMC, são as grandes referências nesse modelo de produção?
Sheron – HBO (Game of Thrones, Boardwalk Empire, True Blood) e Showtime (Dexter, Homeland) são sem dúvida as grandes referências, por serem canais premium (mais caros que o pacote básico) e não dependerem de anunciantes, e sim de assinantes. Por isso seus executivos não se acovardam com a possibilidade de o público não entender ou se ofender com algo. Já a AMC (Mad Men, Breaking Bad, Walking Dead) e a FX (Nip/Tuck, Damages, American Horror Story) são um meio termo: são canais a cabo e têm um público seleto, entretanto dependem de anunciantes e por isso estão atrelados aos índices de audiência.

ZH – Esse patamar de qualidade é possível de ser alcançado apenas na TV por assinatura ou poderia ser aplicado na TV aberta?
Sheron – Alguns vanguardismos ficam, é claro, restritos à TV por assinatura premium e à TV pública. Ambas podem se dar ao luxo de correr riscos por não precisar agradar anunciantes. Mas, obviamente, este novo patamar de qualidade acaba respingando na TV aberta, numa espécie de efeito cascata. O fato de um personagem complexo como House ser um sucesso estrondoso da TV aberta é prova deste efeito. A TV por assinatura criou mafiosos (Tony Soprano), psicopatas (Dexter), traficantes (a Nancy de Weeds) pelos quais nos apaixonamos, porque enxergamos (ou ao menos queremos enxergar) o lado humano deles. House é um típico personagem da TV por assinatura, mas que nasceu na TV aberta justamente devido a estas mudanças. Já no Brasil, os excelentes seriados Capitu e Clandestinos mostraram que existe espaço para produtos mais inteligentes e inovadores. Outra influência da TV por assinatura é o crescimento de comédias sem as tradicionais risadas de fundo (em inglês, "laugh track") da TV aberta, como The Office, Modern Family e 30 Rock. O sucesso destas séries prova que o público não quer mais tudo mastigado, um recurso tão antigo quanto I Love Lucy.

ZH – Dado ao padrão variado de gêneros, de Mad Men a The Walking Deade ao melodrama Mildred Pierce e ao fabular Game of Thrones, seria possível traçar um perfil de qual é o tipo de produção que pode dar certo ou não?
Sheron – Não acredito que exista uma fórmula de sucesso. O importante é não subestimar a inteligência da audiência, não ficar preso a fórmulas, e focar em personagens interessantes e multifacetados. A tendência é existir cada vez menos espaço para o velho maniqueísmo folhetinesco da luta do bem contra o mal.

ZH – Quais atrações vocês destacaria, entre as recentes e as nem tanto, como responsáveis por elevar a TV a um novo padrão de qualidade e por que razão?
Sheron – Algumas pessoas comentam que ano desta transição foi 1990 com Twin Peaks, de David Lynch. Twin Peaks foi sem dúvida um caso raro, assim como Riget, a bizarríssima série escrita e dirigida por Lars von Trier para a TV dinamarquesa no início dos anos 1990. Elas são consideradas (felizes) acidentes de percurso por muitos autores, mas a maioria considera A Família Soprano (1999), da HBO, o marco zero oficial. Na carona de Tony Soprano vieram Sex and the City e A Sete Palmos, e pela Showtime a versão americana de Queer as Folk, seguida de The L Word e Weeds. A maturidade do público, que é hoje bem mais exigente e crítico, pode ser apontada como uma das causas para esta transformação. Alguns autores também citam o fator prestígio. A partir da virada do século, a TV por assinatura começou a receber uma enorme quantidade de prêmios e a gerar muito buzz na mídia. A ideia da TV como algo desprezível e alienado começou a desaparecer, passando a ser vista pela primeira como arte. Não foi por acaso que a HBO adotou o slogan: "Não é TV. É HBO". Se a HBO não é TV, então quem consome também não é qualquer telespectador. O prestígio se transfere do produto para o consumidor: "Se consumo HBO então sou parte de uma elite, tenho capital cultural". Uma estratégia de marketing brilhante.

ZH – Essa realidade é uma tendência com prazo de validade ou tende a se consolidar?
Sheron – Sem dúvida, esta tendência deve muito ao fato do cinema estar cada vez mais comercial. As produções independentes e mais autorais encontraram na TV fechada um porto seguro. Se você escutar os discursos de agradecimento durante os prêmios Emmy e Globo de Ouro vai escutar: "Obrigado HBO por acreditar" dezenas e dezenas de vezes. Vivemos um momento único na história da televisão, e não é a toa que existe um boom de cursos de graduação e pós-graduação nesta área no hemisfério norte, e a tendência vem aos poucos chegando ao Brasil. O mesmo acontece com publicações e livros acadêmicos nesta área. O que ainda falta aqui é mais espaço na imprensa para debater a TV de forma inteligente, uma crítica mais especializada, como ocorre nos grandes jornais internacionais. Quanto mais informado o público estiver, maior é a chance de torcer o nariz para programas banais.

ZH – Ainda faz sentido usar as distinções linguagem cinematográfica e linguagem televisiva?
Sheron – Esse assunto é polêmico e já foi tópico de longas discussões acadêmicas. Não há dúvida que a TV tem se apropriado da linguagem e da estética cinematográfica (altos valores de produção, narrativa mais lenta, personagens e finais ambíguos), mas o elemento que sempre irá diferenciar os dois é a narrativa serializada. O arco da história em um episódio de uma hora na TV aberta é diferente do arco em um episódio na TV fechada, que por sua vez sempre será diferente do arco de um filme de duas horas.

ZH – Poderia se afirmar que é mais fácil identificar um público alvo numa produção para a TV fechada e mirar direto nele sem fazer concessões?
Sheron - A televisão, infelizmente, ainda produz muito lixo, mas o cinema também o faz, assim como a indústria fonográfica e o mercado editorial. A TV não é sozinha responsável pela banalização cultural. E, assim como em todos estes mercados, existem nichos específicos para os quais certas coisas funcionam melhor. Mas não confio muito em segmentações etárias, sociais, ou regionais, pois podem ser rótulos um tanto simplistas e excludentes. Produtores de TV não deveriam presumir o que o público gosta com base nestes rótulos. Com as mídias sociais cresce cada vez mais a necessidade de se levar em conta o perfil psicográfico (baseado nos valores e estilo de vida e menos em fatores demográficos). Quando pessoas se agrupam online, seja através de comunidades de fãs ou nas redes sociais, elas não o fazem baseadas em idade, raça, ou gênero. Elas o fazem em torno de interesses e aspirações. O mesmo vale para o que elas assistem.

ZH –A rede britânica BBC tem um longo histórico de produções de alto nível para a TV, com presença de grandes atores. Dá para comparar com o padrão americano ou o foco deles é, digamos, mais clássico?
Sheron – Não sei se clássico, mas certamente é mais compromissado com a cultura. No Reino Unido, a TV tem um DNA completamente diferente da americana, pois já nasceu pública, e só teve que enfrentar concorrência comercial anos depois. A BBC é literalmente sustentada pelos cidadãos britânicos, através de uma taxa obrigatória que equivale a aproximadamente 350 reais por ano, somente para ter uma TV ligada em casa. Desta forma ela tem um compromisso com o público, e leva a sério seu lema "educar, informar e entreter". Outra grande diferença é que os britânicos sempre foram mais tolerantes em relação a temas tabu, e as tramas tendem a ser bem mais realistas e menos açucaradas. Já nos EUA, a TV nasceu comercial, com os patrocinadores ditando as regras dos programas desde o início. Como o foco sempre esteve nos níveis de audiência, tramas complexas e narrativas mais lentas nem sempre encontram ali um terreno fértil. O excessivo moralismo da sociedade americana também é determinante. Skins, por exemplo, é uma série inglesa que mostra adolescentes tendo relações sexuais e consumindo drogas. No seu país de origem é transmitida às 22h em canal aberto sem grandes problemas. Já nos EUA, Skins causou tamanha polêmica e boicotes pelo PTC (Parents Television Council) que a maioria dos anunciantes cancelou o patrocínio por medo de prejuízo nas vendas e na imagem da empresa. Por isso muitos remakes de séries britânicas não funcionam na TV aberta americana (com raras exceções como The Office).

14 julho, 2011

Emmy Awards: A maior premiação da não-televisão?


Acaba de sair a lista com os indicados para o 63o Primetime Emmy Awards, conhecido como a maior premiação da televisão. Ou talvez da “não-televisão”, já que a HBO lidera, pelo 12º ano consecutivo, com o maior número de indicações. Conhecida pelo seu slogan “NÃO É TV, É HBO”, o canal por assinatura vem desde o final do século passado reescrevendo a história da TV e criando novos parâmetros para o que é “qualidade” na TV. Lição que outros canais por assinatura como a Showtime, AMC e FX têm demonstrado ter aprendido bem.

Fica a dúvida, entretanto, se cedo ou tarde a Academy of Television Arts & Sciences não irá dividir a premiação em duas categorias, TV aberta e TV paga, pelo fato da competição acabar sendo injusta com as redes de sinal aberto que precisam agradar a gregos e troianos. Sinceramente espero que não, pois no final a audiência sai ganhando com a corrida pela qualidade. Mas acho curioso que esta questão ainda não tenha sido levantada.

Entre os indicados de 2011, destaque para a belíssima minissérie Mildred Pierce (HBO), estrelando Kate Winslet e Guy Pierce, que lidera a lista com 21 indicações, e as séries dramáticas Mad Men (AMC), com 19 categorias, e Boardwalk Empire (HBO), com 18.

Para a lista dos indicados nas principais categorias visite meu post no blog O Café.

16 dezembro, 2010

TV por assinatura versus TV aberta – Parte 2: “Times they are a-changin”


Existe vida inteligente no planeta TV. Quem ainda não teve o grande momento de revelação, vai ter. Cedo ou tarde vai acontecer. Aquele momento incrível, de perder o fôlego em frente à tela de TV. E você então se pergunta quando foi a última vez que se sentiu assim no escuro de uma sala de cinema.

Para o crítico Devin Gordon, da Newsweek, o momento chegou enquanto assistia ao episódio de Sopranos em que Tony, o mafioso bronco com crise de consciência, aproveita para estrangular uma testemunha durante um passeio com a filha, a caminho de uma das universidades mais prestigiadas do país. Para outros foi no primeiro episódio de Lost, ou 24. Para mim a revelação aconteceu ainda em 1998 com Sex and the City. Mas foi confirmada com a microssérie brasileira Capitu. E então assinada, carimbada e oficializada em papel timbrado com Mad Men, no momento em que a ultra glamorosa e ultra frustrada dona de casa Betty (foto), com um cigarro aceso entre os dentes, atira com uma espingarda nos pombos do vizinho, na cena final do episódio intitulado “Shoot” (que até então parecia fazer menção à sessão de fotos que acontece na história).

Claro, a TV ainda produz muito lixo, mas o cinema também o faz, assim como a indústria fonográfica e o mercado editorial. A televisão não é sozinha responsável pela banalização cultural.

Este é um momento único na história da televisão, e compreender esta mídia nunca foi tão imprescindível para uma sociedade como a contemporânea. A TV nunca esteve tão inserida na vida do consumidor (apesar da internet, o mundo inteiro está assistindo mais TV, como mostrou o recente estudo do Ad Age Insight’s), os sistemas de distribuição e as formas recepção nunca foram tão diversos e democráticos, e a dramaturgia televisiva nunca foi produzida com tamanha qualidade como na atualidade.

A correspondente de Nova Iorque do jornal O Globo, Fernanda Godoy, vai mais longe e defende que as novas produções dão à TV o prestígio que o cinema perdeu nos últimos tempos. A jornalista talvez conquiste alguns inimigos com esta generalização, especialmente no Brasil, onde a TV ainda tende a ser vista como uma mídia menor, alienada e alienante. Mas em países como os EUA e o Reino Unido esta transformação já foi percebida desde o inicio da década, tanto pelo meio acadêmico como pela imprensa especializada. Artigos como “Is television getting better than the movies?”, publicado na Empire (2002), ou “Why TV is better than the movies”, na Newsweek (2007), ou ainda “The changing face of TV”, na revista de cinema Moviescope (2009), já alertavam para este novo cenário, que tem como abre alas o canal americano HBO (Sopranos, Sex and the City, True Blood, Boardwalk Empire, Curb your Enthusiasm, In Treatment), seguido pelo Showtime (Weeds, The L Word, Dexter), FX (Damages, Nip/Tuck) e AMC (Mad Men, Breaking Bad).

Os canais de TV a cabo atraíram para seus estúdios nomes de peso como: Glenn Close, Toni Collette, Gabriel Byrne, Dianne Wiest e Vanessa Redgrave (além de Dustin Hoffman em 2011). Há quem diga que são atores que já não encontravam tanto trabalho no cinema, devido à idade mais avançada. Mas se esse é mesmo o caso, esta seria mais uma razão para acusar o cinema dos mesmos vícios e inescrupulosidade que os mais puristas vem atribuindo à televisão por anos. Se isso ainda não convence, então talvez nomes como Steven Spielberg (que produz United States Tara para a Showtime), Martin Scorsese (que produz Boardwalk Empire para a HBO) e Barbet Schroeder (que dirigiu um dos episódios de Mad Men) selem o argumento.

Estas produções abriram precedente para a crescente ousadia (mesmo que contida) que vemos hoje refletida em séries da TV aberta, como Lost e Modern Family (ABC), House (FOX), e, olhando para o mercado brasileiro, as inovadoras Som e Fúria e Clandestinos (Globo). Ainda assim, como no caso de Lone Star (FOX) e outras tantas boas histórias que são cortadas antes de terem chance de amadurecer, existe uma linha fina que ainda demarca até onde a TV aberta pode caminhar. Quando ousa caminhar do outro da linha, não há garantias, e o preço pode às vezes ser a perda dos tão preciosos eye-balls da audiência. Ou os ainda mais preciosos cheques dos anunciantes. Na dúvida, não ultrapasse. Na dúvida, a TV aberta prefere repetir a fórmula que dá certo.

Mas os tempos estão mudando. Palavras como tablets, second screen, webséries, DVRs, Netflix, torrents, Twitter e YouTube foram adicionadas ao glossário dos produtores. O que à primeira vista pode parecer uma ameaça, pode também ser uma oportunidade. Que se arrisque a cruzar a linha aquele que tem menos a perder.


Amanhã:
TV por assinatura versus TV aberta – Parte 3: HBO e a arte de “não ser TV”

15 dezembro, 2010

TV por assinatura versus TV aberta – Parte 1: Cães, attention span e o caso de Lone Star

Um dos assuntos que mais geraram discussão na última Flow, a conferência sobre estudos de televisão que acontece todo ano na Universidade do Texas, foi o diferença cada vez mais gritante entre a dramaturgia da TV aberta e da TV paga.

O cancelamento brutal de Lone Star, do canal Fox (nos EUA um canal de TV aberta), após só dois episódios, foi considerado um exemplo deste crescente distanciamento. Apesar da qualidade da produção (assista aqui ao trailer), do elenco que incluía o legendário Jon Voight, e dos elogios da crítica, a série teve baixa audiência e não sobreviveu, à mesma moda de Pushing Daisies e FlashForward, ambas da ABC. Se tivesse sido produzida por um canal a cabo, teria tido o mesmo destino?

O criador de Lone Star, Kyle Killen, participou de um debate durante a conferência, no qual se argumentou que métodos como os índices de audiência, utilizados pela TV aberta para medir o sucesso de um programa, são “impiedosos”.

Killen, que segue tentando vender os direitos do drama para outro canal, usou uma curiosa analogia para explicar o abismo entre os dois tipos de televisão: "A TV por assinatura é como uma pessoa com uma arma na cabeça do seu cão, e ameaçando atirar caso você não consiga entretê-la. A TV aberta também é como uma pessoa com uma arma na cabeça do seu cão, ameaçando atirar caso você não consiga entretê-la, MAS A DIFERENÇA é que se esta pessoa se sentir entediada ou perder a atenção POR MAIS DE 2 MINUTOS, o seu cão está morto."

Trata-se de uma forma interessante de exemplificar a dificuldade de se criar drama suficientemente atraente para a TV aberta americana, onde os níveis de audiência ditam o que vai ou não ser cancelado, independente da qualidade e da quantidade de críticas positivas.
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