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13 agosto, 2014

Artigos acadêmicos para download



Atenção estudantes e professores das áreas de cultura audiovisual e digital: a editora Taylor e Francis liberou o download de vários artigos acadêmicos sobre cinema, televisão, estudos culturais, jornalismo, new media e gender studies (todos em inglês). Os temas abrangem desde o mercado norte-americano até o Leste da Europa, América Latina, Austrália e Ásia.

Na categoria TV, destaque para os ótimos textos de Derek Johnson sobre a nova audiência e de Victoria Smith sobre a série Dexter. Quem estuda cinema não pode deixar de conferir o artigo de Matthew Campora sobre Eternal Sunshine of the Spotless Mind, e a análise de James MacDowell sobre o cinema de Wes Anderson.

Imperdível.


03 novembro, 2013

O FUTURO DA TV EM UM CLICK

Reproduzo abaixo o artigo da ACCENTURE, publicado em março de 2013, dos autores Robin Murdoch, Youssef Tuma e Marco Vernocchi. Link original aqui.



Imagine um adolescente ao assistir televisão. Ele provavelmente estará com um tablet no colo, pronto para conferir vídeos relacionados ao documentário do Animal Planet, transmitido pela emissora, ou terá pedido o celular da irmã mais velha emprestado para acessar o último episódio de Dança dos Famosos.

Quando esse jovem adolescente tiver idade para ir à universidade, sua experiência com a TV será muito mais rica. Por meio do aparelho, ele poderá convidar os amigos para assistir ao vídeo filmado por seus colegas, que carregou em sua biblioteca de conteúdos doméstica e armazenou na nuvem. Quando os amigos forem embora, ele utilizará o controle remoto da televisão para um passeio em alta resolução pelo bairro de Pequim, onde seu irmão mais velho mora, ou selecionará um cena de seu filme favorito para assistir.

Será o fim do aparelho de TV? O declínio dos televisores foi previsto há anos, por conta do crescimento da internet, mas a TV chegou para ficar. Seu papel de proporcionar entretenimento envolvente, coletivo ou individual continuará. A televisão se transforma a cada dia e o processo por trás da tela passa por mudanças drásticas.

A TV será ainda mais útil para o entretenimento, educação e informação. Executivos, cineastas, canais de televisão, prestadores de serviços via Internet e até os operadores de comunicação, que fazem a ligação final com o consumidor) acreditam que a reinvenção da TV será uma revolução. As organizações que captarem rapidamente as mudanças na criação, financiamento, produção e transmissão de conteúdos televisivos estarão à frente das demais, que poderão enfrentar uma concorrência nova e feroz. Um exemplo disso é a pressão que as empresas de TV a cabo sofrem dos chamados provedores OTT (over-the-top), como a Netflix e a Hulu, que transmitem pela Internet. Atualmente, assistimos o colapso das barreiras que costumavam impedir a entrada de novos participantes no mercado da TV.

Como a TV pode continuar relevante na era dos tablets e smartphones? O tempo dedicado à televisão foi compartilhado com laptops, celulares e tablets e fragmentado, por conta das ocupações e agitações da vida moderna. Esses fatores forçam comportamentos como a gravação de um episódios do seriado do momento, perdido por causa da reunião do conselho escolar.

Pesquisas recentes da Accenture sobre os hábitos dos telespectadores revelam que 62% usam um computador ou laptop enquanto assistem TV e 41% por cento utilizam o celular - enviam mensagens para amigos sobre alguma piada transmitida ou verificam a veracidade do discurso de algum político, por exemplo. Se juntarmos a este cenário a disponibilidade generalizada de Internet sem fio de alta velocidade, a experiência do telespectador moderno se torna muito mais interativa, consumível e fácil de ser compartilhada em tempo real. 

Meio dominante
A telona da sala é e continuará a ser um meio de comunicação dominante. Ainda não há um substituto para a experiência coletiva de se assistir a uma final de campeonato ou da temporada de um seriado popular. Um outro estudo da Accenture revela que os jovens estão muito mais ligados na TV do que se supõe. Mesmo na faixa dos 25 aos 34 anos, eles assistem, em média, 140 horas de programação “tradicional” , mais de 20 vezes a quantidade de horas gastas com vídeos na Internet ou em celulares.

Quase metade desses indivíduos ainda senta em frente a TV para assistir a algum tipo de conteúdo OTT, ao invés de procurar seus tablets ou celulares. Um outro dado que merece destaque é sobre os usuários do YouTube, eles assistem cerca de cinco horas de vídeos por mês, uma quantidade ínfima perto do tempo que passam em frente a TV.


A televisão ainda tem muito poder para atrair audiência e as mudanças e transformações continuarão a seduzir os telespectadores. Em poucos anos poderemos usar a TV para acessar um ecossistema completo de conteúdos ricos e, em grande parte, totalmente interativos e disponíveis via Internet. O acesso será fácil, a partir de catálogos de conteúdos e um aparelho de mão - talvez uma geração futura do smartphone, ou um dispositivo exclusivo que seja tão simples e intuitivo quanto o controle remoto.

Outra tendência significante das mudanças causadas pela revolução da TV é a transformação de telespectadores em criadores de conteúdo capazes de ampliar o que aparece nos canais de notícias. Ao mesmo tempo, os grandes estúdios de cinema atendem a crescente demanda por conteúdo visual de primeira linha e investem pesado na produção de seus blockbusters. Estima-se que foram gastos aproximadamente 150 milhões de dólares com último filme de James Bond, Skyfall, e cerca de 250 milhões de dólares com o filme Batman - O Cavaleiro das Trevas. Essas superproduções são planejadas desde o início para ampliar as oportunidades downstream em extras, vídeos para a Web e aplicativos. Cada vez mais os conteúdos podem ser distribuídos por lojas online, como a Amazon, localizados no Google ou oferecidos sem custos pela Bravo, por exemplo.

Rei do conteúdo
Executivos de redes e operadoras de TV a cabo não precisam procurar muito para enxergar o que abala suas bases. A resposta é óbvia: tecnologia - do aparelho de TV à mídia social cujo compartilhamento de informações por meio dos serviços de nuvem permitem armazenar imensas quantidades de dados. O fato é que o consumidor comanda o conteúdo.

Na última década, o controle passou rapidamente para as mãos do telespectador. Com o TiVo e outros sistemas de gravação digital ficou fácil escolher quando queremos assistir nossos programas favoritos, mas os consumidores também querem personalizar a programação com os recursos de pesquisa, recomendações, redes sociais e serviços cada vez mais integrados. A Accenture verificou que 64% das pessoas preferem pesquisar vídeos por gênero, como faroeste ou desenho animado, e 43% procuram novos vídeos com mecanismos de recomendação, que acompanham suas preferências e sugerem conteúdos similares. Aproximadamente 28% dos usuários de serviços como Netflix e YouTube criaram listas de reprodução de vídeos. Ambas as empresas facilitam esse tipo de operação, pois utilizam o histórico de comportamento dos usuários para fazer recomendações relevantes. A história se repete com os serviços de música oferecidos por empresas como Pandora e Spotify e com a comercialização de mercadorias realizada pela Amazon.com.

As pessoas passaram de simples consumidoras de conteúdos para distribuidoras . Os usuários de mídias sociais têm, em média, 3,2 amigos que publicam vídeos pelo menos uma vez ao dia; quase quatro em cada 10 consumidores publicam vídeos em mídias sociais. Mais da metade dos participantes da pesquisa da Accenture estariam interessados em recomendar vídeos para outras pessoas como parte de sua participação num serviço de vídeos.

Não se trata somente do controle, mas da criação de conteúdo. O termo “prosumer” (contração que significa “consumidor profissional”) começa a aparecer para descrever amadores talentosos que usam tecnologias sofisticadas e acessíveis para produzir reportagens ou vídeos educativos com qualidade. Amantes de aventuras podem comprar uma câmera GoPro por menos de trezentos dólares, acoplá-la a mountain bike ou a mascara de mergulho e produzir imagens de qualidade, que podem ser editadas facilmente em qualquer laptop e compartilhadas em mídias sociais. O crescimento do chamado "conteúdo gerado por usuários" explodiu. O YouTube já tem mais de 800 milhões de usuários únicos por mês e, embora a maioria somente assista, cada vez mais pessoas publicam seus conteúdos ou produções de colegas.

As possibilidades crescem com tanta rapidez e chegam tão longe que podemos dizer que o conteúdo criado pelos prosumers, em breve, será um concorrente sério para alguns tipos de material profissional, como filmagens para telejornais e reality shows. Até mesmo o financiamento para criação de conteúdos foi alterado pelos consumidores.

Se por um lado os fatores tecnológicos pressionam a indústria da mídia, do outro lado estão os anunciantes, que querem e precisam mensurar o retorno de seus investimentos. Para os meios de comunicação tradicionais, dar medidas exatas sempre foi difícil. Com a explosão das mídias de Internet, a situação ficou mais complicada, pois suas métricas são mais precisas e a atenção do telespectador foi fragmentada entre as diversas opções de entretenimento.

Em busca do pote de ouro
Quem é o vencedor no novo mundo da mídia? O consumidor é claro. Outros vencedores provavelmente vão surgir fora da curva que definiu o setor nos últimos cinquenta anos. Não é exagero dizer que empresas como a Amazon e o Google vão ganhar muito, assim como outras que compreenderem o significado da cadeia de valor dos meios tradicionais e do desenvolvimento de novos valores e consumo em mídia. Assistimos à chegada e o crescimento de organizações que oferecem novas opções de acesso a conteúdos digitais. Companhias como o YouTube e a Netflix criam seus próprios conteúdos para diferenciar a marca e melhorar sua posição na batalha pelos direitos autorais. Amazon, Google e Apple já oferecem uma quantidade significativa de conteúdos para seus consumidores, mesmo que essa não seja a base de seus negócios. O negócio do Google é a pesquisa, mas a empresa transmite mais de 4 bilhões de horas de vídeo todo mês por meio do YouTube.

A maior parte das receitas da Apple vem da venda de seus aparelhos. Isso não impediu a companhia de ganhar 2 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2012 com a iTunes Store, Apple Store, iBookstore, vendas de serviços para iPod e acessórios com a marca Apple ou de terceiros para iPod.


Os novatos vão onde o dinheiro está. Eles perceberam que o sucesso no setor de mídia gira em torno dos conteúdos de qualidade. Isso explica o anúncio feito pelo YouTube em outubro de 2011 sobre investimentos de 100 milhões de dólares em canais premium. Em maio de 2012, a Netflix também anunciou seus planos de investir 185 milhões de dólares na criação de conteúdo original em cinco anos.A nova temporada de Arrested Development e House of Cards, versão americana da série britânica política, dirigida por David Fincher e estrelada por Kevin Spacey, são frutos da iniciativa anunciada pela Netflix.

Os deslocamentos tectônicos sofridos pela indústria da mídia mudarão sua paisagem e alterarão tudo, do fluxo de investimentos dos anunciantes ao funcionamento do próprio setor. Parte desse futuro já chegou. Nos últimos meses, alguns provedores de conteúdo em OTT reforçaram sua posição. A Netflix tem mais assinantes do que várias operadoras de TV a cabo nos Estados Unidos. São números impressionantes se considerarmos que a empresa foi fundada em 1997.

As operadoras com mais visão de futuro entre as tradicionais já iniciaram mudanças consideráveis para melhorar seu posicionamento no novo mundo da mídia. A British Sky Broadcasting permite que seu conteúdo seja acessado por dispositivos variados e o YouView - um novo sistema aberto que facilita o acesso às tecnologias de TV por transmissão de IP numa interface intuitiva - está apoiado em gigantes do setor como a BT e a BBC.

Chega de tiros no escuro
Os modelos tradicionais, que envolvem a assinatura de conteúdos, não são os únicos ameaçados pelo novo formato. Com a chegada do formato OTT e diante da maneira que os telespectadores consomem conteúdos - programação assistida de forma holística, com as experiências de entretenimento digital, como TV, filmes, vídeos na Web, jogos e aplicativos -, os anunciantes também terão que se adaptar.
A migração gerenciada de direitos para novas plataformas preservou os anunciantes da TV tradicional e as assinaturas de TV paga como as principais fontes de renda. O setor está prestes a mudar rápido demais para que isso continue assim. As assinaturas podem deixar de ser pacotes inchados e oferecer opções à la carte que permitam escolher e pagar exatamente o conteúdo desejado para fornecedores diferentes, inclusive os da Internet.

Executivos de marketing já trabalham na redistribuição e otimização dos orçamentos entre plataformas. As coletas de dados e ferramentas de análise cada vez mais sofisticadas sobre consumidores auxiliam nesse trabalho e permitem novas formas de direcionamento e medição para as transmissões. A digitalização acaba com as incertezas dos modelos de propaganda tradicionais, porque os dados digitais são mais precisos e detalhados que os analógicos. Muito ainda precisa ser feito para que os departamentos de marketing tradicionais consigam usar com eficácia essas análises para oferecer anúncios personalizados e interativos, com uma compreensão detalhada dos grupos de consumidores que responderão às novas ofertas

O que significa então essa nova cara da TV para as empresas de mídia estabelecidas? A ascensão do consumidor exige modelos de negócio baseados nas suas necessidades mais do que nas de um canal, plataforma ou anunciante em particular. Um único panorama do cliente é obrigatório para uma estratégia multiplataforma centralizada.

As empresas que conseguirem se adaptar experimentarão abordagens diferentes e simultâneas. Será preciso criar e trabalhar com modelos de negócio híbridos e reavaliar constantemente seu lugar no “ecossistema” da mídia. Talvez seja necessário assumir novos papéis para localizar e capturar oportunidades de receita. Os elementos de toda a cadeia da mídia precisam planejar uma arquitetura totalmente diferente e nova para a distribuição de seus produtos.

Em dez anos a TV será uma das maiores peças de mobília da sala de estar e ocupará seu lugar de destaque na vida familiar. As empresas de TV se tornarão irreconhecíveis se comparadas aos modelos operacionais e estruturas atuais. As decisões que são tomadas pelos novatos, no topo e na base da cadeia de valor, obrigam organizações estabelecidas a repensarem radicalmente suas práticas. As redes de transmissão tradicionais - as mais ameaçadas -, precisam agir com rapidez e segurança para sobreviver neste novo mundo.

As decisões tomadas pelas Amazons e Googles vão muito além do próprio setor de comunicações. Essas iniciativas darão o tom das escolhas que os anunciantes terão de fazer, de uma empresa para outra ou da empresa para os consumidores. Suas decisões também influenciarão a educação e são capazes de mudar o rumo do desenvolvimento de novos produtos para fornecimento de conteúdo. Essas mudanças poderiam até mesmo reformar a mídia em seu papel de refletora e influenciadora de políticas públicas.

Parafraseando a velha máxima da política: a nação irá onde a TV for.


(Sobre os autores: Robin Murdoch é líder do grupo de estratégia de Comunicações, Mídia e Tecnologia da Accenture, em Seattle. Youssef D. Tuma é líder de Serviços Digitais para a Accenture no Reino Unido, em Londres. Marco Vernocchi é líder do grupo de Mídia e Entretenimento das operações de Comunicações, Mídia e Tecnologia da Accenture em Milão.)


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O storytelling imersivo de Mike Monello

O que o filme A Bruxa de Blair, a série Game of Thrones e os automóveis da Audi têm em comum? O talento de Mike Monello, da agência Campfire, por trás de suas campanhas.

No final dos anos 90, junto com Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, ele ajudou a criar um universo paralelo que gerou tamanho envolvimento com o público que fez de A Bruxa de Blair um dos 100 filmes de maior faturamento de todos os tempos. O que estes jovens fizeram na época, bem antes do surgimento das redes sociais, foi nada menos do que experimentar com a linguagem transmídia, criando extensões de narrativa em diversas plataformas (cinema, website, especial para a TV, livro e game) que instigaram a curiosidade do público e permitiram a imersão no universo da história. Leia abaixo o artigo onde ele aborda tópicos como: transmídia storytelling e os fãs da marca.

O suposto "desaparecimento" dos três documentaristas
Por Mike Monello


"Em 1998 me juntei a quatro amigos em Orlando para produzir o que iniciou como um filme independente e terminou como A Bruxa de Blair. Dar vida à lenda da bruxa através de várias mídias foi a mais incrível e inusitada experiência de storytelling da minha vida. Havia uma constante carga de adrenalina em contar uma história online e em tempo real para uma audiência que só crescia. Nós conseguimos criar, antes do Facebook, Twitter e YouTube, uma conexão profundamente significativa com os fãs antes mesmo do filme estar finalizado.

Game of Thrones e a exótica culinária imaginada de Westeros
Nós influenciamos o comportamento dos fãs de uma forma bem mais valiosa do que simplesmente clicar em um botão de "compartilhar": eles pressionaram tanto os gerentes de cinemas locais que acabaram elevando o filme da categoria "pequeno lançamento independente" para "sucesso mainstream do verão", exibido em 2.500 salas. A experiência de fazer e promover A Bruxa de Blair abriu meus olhos para o poder - e as possibilidades - do storytelling em um mundo conectado.

Agora avance 13 anos. A crescente hiperconectividade deu visibilidade a comportamentos antes ofuscados pela comunicação de massa. Testemunhamos a emergência das redes sociais e memes, a democratização da notícia, o crescimento do influenciador online, da tecnologia móvel, do cloud computing e do
tecnólogo criativo.

Mas hiperconectividade não se refere só a tecnologia, canais de mídia e redes. Na sua essência, ela tem a ver com o poder da propaganda boca-a-boca e sobre os novos usos de uma das tradições mais antigas: o storytelling. Nos áureos tempos do comercial de 30 segundos, publicitários usavam histórias para educar e converter um público que era cativo e atento. Hoje a hiperconectividade nos levou à fragmentação, e a audiência recebe informações quando e onde quer, em múltiplas telas, em 140 caracteres e em incontáveis newsfeeds.

Isto é incômodo para marketeiros acostumados a contar brand stories cuidadosamente controladas. Para tirar vantagem destas transformações, o primeiro passo é criar um universo robusto dentro do qual a história da marca pode se desdobrar de forma autêntica, independente da direção que tomar ou de quem irá determiná-la.

Em uma campanha de marketing, isto significa criar experiências múltiplas para os consumidores, usando inúmeros canais, tanto online como offline. Dar às pessoas matéria-prima para que juntem os pedaços da história na sua própria mente, do seu próprio jeito e nas suas próprias palavras. Esta abordagem inspira brand stories compartilháveis, na linguagem personalizada de cada consumidor.


Também representa uma ousada porém gratificante mudança no controle da voz da marca: do marketeiro para o consumidor. Os anúncios impressos e comerciais de 30 segundos contavam histórias a uma audiência passiva. Mas o marketing baseado na experiência dá às pessoas uma história para compartilhar.

O resultado: o universo da marca passa a viver dentro da mente do consumidor. Construir este universo da marca vai além de mensagens cuidadosamente elaboradas com base em um manual de marketing. É preciso criar regras para este universo, canais de comunicação adequados e experiências que permitam que a história tome forma organicamente. Mas a campanha deve levar em conta que os consumidores não precisam -e não irão- participar de cada uma das experiências.
The Art of the Heist: o Alternate Reality Game da Audi
Como funciona na prática? Para assegurar que a primeira temporada de Game of Thrones fosse um sucesso, a Campfire evocou o universo da série de TV antes dela existir. Criamos experiências sensoriais que convidavam a ver, ouvir, tocar, cheirar e provar o mundo de Westeros. A campanha começou com o envio de caixas aromáticas especialmente desenhadas a influenciadores online, e culminou com um food truck (coordenado pelo chef Tom Colicchio) nas ruas de Nova Iorque e Los Angeles. Nós demos vida à série na mente dos consumidores (inicialmente apenas curiosos e posteriormente evangelistas), fazendo de Game of Thrones uma das mais antecipadas e bem sucedidas séries de 2011.

Curiosidade é uma ferramenta extremamente eficiente para influenciar o comportamento do consumidor. Seja rastreando um carro "roubado" do New York Auto Show (campanha The Art of the Heist da Audi), ou decifrando cartas escritas em línguas mortas (campanha de lançamento de True Blood), a curiosidade motiva os consumidores a viver experiências que formam o universo da marca, e dá motivos para que compartilhem suas descobertas com seguidores.

Este tipo de campanha é altamente imersiva, e permite diferentes níveis de engajamento com diferentes tipos de consumidores, do meramente curioso ao mais fanático. Esta abordagem exige um conhecimento profundo das subculturas de fãs. Embora o Facebook tenha popularizado a palavra "fã", se realmente compreendermos a cultura dos fãs poderemos converter observadores casuais em consumidores engajados e ansiosos por explorar o universo da marca. E não simplesmente pessoas que clicaram no botão "Curtir".


O "site de encontros" entre humanos e vampiros
Na Campfire nós imergimos nas subculturas de fãs para identificar os divers, dippers e skimmers. Os divers são um nicho que vive e respira o universo da marca, os dippers interagem casualmente com ela e os skimmers ficam mais na superfície. É preciso atingir cada um dos grupos separadamente e satisfazer suas necessidades. Graças a um mundo hiperconectado, um grupo influencia o outro, e é compreendendo este ecossistema que se tem os insights necessários para expandir o alcance da marca. Engajando primeiramente os divers, é possível gerar buzz suficiente para gerar um efeito cascata, que influencia então os dippers e finalmente os skimmers e o mainstream.

Independente do seu nível de envolvimento, quando consumidores visualizam o universo que resulta destas inúmeras experiências via múltiplas plataformas, eles desenvolvem um senso de propriedade da marca. A conexão com a marca é personalizada, e o laço emocional é duradouro.
Storytelling hiperconectado não é fácil, mas é uma ferramenta crucial do marketing atual. A verdadeira moeda das mídias sociais são histórias. Surpreenda e envolva as pessoas no universo de sua marca, e elas vão lhe ajudar a espalhar sua história."

(Texto traduzido por Sheron Neves)





28 outubro, 2013

Dica de Livro: "Previously On" (e-book gratuito)


Breaking Bad, Fringe, Lost, Glee, Mad MenGossip Girl, DamagesDoctor Who. Estas são apenas algumas das inúmeras séries de TV analisadas no livro Previously On: Interdisciplinary Studies on TV Series in the Third Golden Age of Television, editado pela Universidade de Sevilha.

São cerca de 50 artigos escritos por acadêmicos da Espanha, Alemanha, França, Austrália, Estados Unidos, Argentina, Colômbia, Itália, Reino Unido e Canadá. Trata-se de um livro "trilíngue", portanto se inglês não é o seu forte você tem ainda a opção dos artigos em espanhol ou italiano.

O livro está disponível para download em pdf, sem nenhum custo. É só clicar no link acima.


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15 agosto, 2013

Revista GEMInIS lança edição sobre a TV pós digital




A nova edição da Revista GEMnIS, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) é inteiramente dedicada ao debate da TV pós digital e ao novo ecossistema midiático, compreendido pelas comunidades online que compartilham a experiência do "assistir conectado". Neste ambiente a noção de TV Social promove mudanças no modelo de fluxo televisivo, criando novos desafios para a produção, distribuição e comercialização de conteúdo.

É um imenso privilégio ter minha resenha do livro Social TV: How Marketers Can Reach and Engage Audiences by Connecting Television to the Web, Social Media, and Mobile (Proulx e Shepatin, 2012) publicada junto a artigos de excelente qualidade escritos por acadêmicos das mais variadas universidades do Brasil. O livro, que ainda não foi publicado em português, explica como a redes sociais trouxeram de volta a cultura do appointment television, listando inúmeras estratégias para engajar e recompensar quem assiste um programa durante sua transmissão em tempo real, seja através de aplicativos de segunda tela, hashtags promocionais ou de conteúdo complementar.

Para acessar a revista completa, clique aqui.
Para acessar minha resenha, clique aqui.




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14 agosto, 2013

A dor e a delícia da TV escandinava



O solo mais fértil para a teledramaturgia de qualidade – em especial thrillers psicológicos - não é mais o americano nem o britânico. É a península escandinava. Os ingleses já sabem disso, e retransmitem sua grande maioria, sempre com sucesso de público e crítica. Os remakes também têm rendido bons frutos, como é o caso de The Killing e Wallander (com elenco do calibre de Kenneth Branagh), além de outros que já se encontram em fase de produção.

O fenômeno do “nordic-noir” não é tão novo. Nos anos 90 a bizarra minissérie The Kingdom, escrita e dirigida por ninguém menos do que Lars von Trier, impressionou audiências ao redor do mundo ao mesclar a estética crua do Dogma 95 com fenômenos sobrenaturais e suspense.

Sofia Helin na versão escandinava de The Bridge
Mas meu argumento baseia-se especialmente em dramas recentes. O primeiro é The Bridge, uma série policial sueco-dinamarquesa que gira em torno de vários assassinatos e de uma detetive com síndrome de asperger. O canal FX Brasil recentemente transmitiu o remake americano, com Diane Kruger no papel da brilhante policial, mas a atuação da sueca Sofia Helin é absolutamente impecável e, na minha opinião, muito melhor. A versão original pode ser assistida gratuitamente no Now ou no site Muu

O segundo caso é a série sueca Real Humans, que no Brasil já passou no canal pago Max. Classificá-la puramente como ficção cientifica seria simplista demais. Este belo – e amargo – drama é um tratado sobre a raça humana, sobre dignidade e solidão, que em momentos lembra a ternura de O Homem Bicentenário e em outros a crueldade de A. I. Inteligência ArtificialA história se passa num futuro próximo, onde os hubots (ou human-robots, como são chamados) estão à venda tanto para serviços domésticos como para prostituição. Mas quando os humanos começam a perder seus empregos e até suas esposas, a coisa muda de figura. Psiquiatras passam a tratar casos de atração por androides, advogados questionam a legislação, e grupos terroristas se formam para defender a raça humana. Numa alusão à escravidão, as máquinas também se rebelam e passam a lutar pela liberdade e aceitação social.

Se tiver oportunidade, não deixe de assistir a estas duas joias nórdicas que conseguem passear tão sutilmente entre o sombrio e o encantador.



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