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22 outubro, 2013

Netflix bate HBO em total de assinantes nos EUA



Netflix acaba de ultrapassar a HBO em número de assinantes no mercado americano. O serviço de streaming fechou o trimestre com 29,9 milhões de assinantes, contra 28,7 milhões da HBO (que, apesar de não divulgar seus números, teve o total de assinantes estimado pela Bloomberg). Leia mais sobre a batalha entre as duas empresas aqui e aqui

O jornal USA Today fez até um vine para divulgar a novidade.




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18 março, 2013

SxSW 2013: Sobre a distribuição de conteúdo


Direto da SxSW 2013, Fabio Seixas, Diretor Executivo da Conspiração Concept, compartilhou no site do Clube de Criação de São Paulo algumas de suas impressões sobre um dos temas mais discutidos no evento este ano: as novas formas de financiamento e distribuição de conteúdo. Reproduzo abaixo o texto na íntegra (original aqui).


Um dos assuntos sobre o qual mais se falou no SxSW é a distribuição do conteúdo, seja de filmes, músicas ou - por que não? - games. Diferente do passado, quando canais de TV, salas de cinema, rádios e consoles eram as únicas opções, hoje contamos com centenas de soluções. Desde as mais conhecidas, como o Vimeo e o Youtube, para vídeos, e o SoundClound para música, bem como outras mais personalizadas como:

 BandPage, plataforma de música para bandas.
 VHX, para filmmakers que querem vender e distribuir seus próprios conteúdos.
 OUYA, um console de games diferente, que foi lançado no Kickstarter e arrecadou $ 8.5 milhões. Seu lançamento está previsto para esse ano e deve custar em torno de 99 dólares. Produtores de games independentes podem ter sua conta de desenvolvedor (assim como no iTunes) e ganhar dinheiro vendendo games nessa plataforma.


Aliás, o mais legal de tudo o que foi dito é a possibilidade de distribuição independente. Os americanos estão com um mindset super afinado sobre o tema quando falamos de conteúdo independente (ou não), que se resume em criar sua própria audiência (para quem não conhece, o case da Amanda Palmer no TED é uma aula). Só para ter uma ideia, aproximadamente 25% dos livros vendidos na Amazon são de escritores independentes. Hoje, os casos de sucesso não são poucos quando falamos de produção de conteúdo independente.

De todas as ferramentas, a KickStarter é a mais falada e a que vem obtendo muito sucesso para ao mesmo tempo lançar projetos e criar audiência. Para saber quais os projetos mais bem sucedidos acesse Kickstater Stats. Lá você encontra informações do tipo: quase 50% dos projetos publicados foram financiados; as categorias mais bem sucedidas são música, artes plásticas e filmes, respectivamente; 22 projetos captaram mais de $ 1 milhão; 28 dólares é a media de investimento por pessoa/projeto.

Além do dinheiro, o mais importante de um projeto lançado via KickStarter é a audiência que se constrói com ele. Se o seu projeto consegue financiamento, isso significa que ele tem audiência e que ele é bom de verdade (pelo menos para o público pagante). E esse público deve ser cuidado com carinho, pois é o mesmo que vai apoiar um futuro projeto seu e divulgar o projeto atual. Afinal, quando falamos de audiência e visibilidade de conteúdo é bem melhor conseguir captar $ 1 milhão de 50 mil apoiadores/entusiastas, do que de uma pessoa só. E não esqueçam as outras ferramentas, como Facebook, websites e email mkt para construir público, afinal, esse público é seu e não de um projeto apenas. Monte sua base e essa base vai estar sempre lá quando precisar. A Amanda Palmer conseguiu captar mais de $ 1 milhão dos 25 mil fãs que ela tinha no Facebook.


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27 janeiro, 2013

Cresce demanda por conteúdo televisivo nacional

A lei 12.485 - vigente há 4 meses - criada para estimular a produção de TV nacional, já vem mostrando seu efeito sobre a demanda para conteúdo. E como mostra o gráfico, não foi só o acesso à TV por assinatura que cresceu no Brasil nos últimos tempos. O número de produtoras também. Leia mais no artigo de 08/01/2013 da Folha de São Paulo.

Fica a pergunta: e o número de cursos universitários especializados em TV, quando vai crescer? O artigo do IG Economia questiona justamente isso. Vamos torcer para que o Rio Content Market 2013, que acontece agora em fevereiro, aqueça esta discussão.






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06 dezembro, 2012

"A REVOLUÇÃO TRANSMÍDIA"

A revista INFO do mês de dezembro traz uma matéria sobre a crescente popularidade da narrativa transmídia. O único detalhe que faltou, na minha opinião, foi mencionar que o transmídia storytelling não é aplicável apenas a séries de TV e filmes, e já é utilizado na estratégia de comunicação de grandes anunciantes como Coca-Cola, Intel, Toshiba, Audi, Nokia e muitos outros. 

Leia abaixo a reprodução do artigo (ou acesse o original aqui).



"A REVOLUÇÃO TRANSMÍDIA" - por Paula Rothman

Contar uma história em várias plataformas é a aposta de produtores para fisgar o espectador onde quer que ele esteja. Dexter é uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos e atraiu mais de dois milhões de espectadores na estreia da sétima temporada nos Estados Unidos, em outubro. Mas a audiência não fica apenas na TV. Há um game interativo online, onde os espectadores solucionam crimes com as mesmas ferramentas do protagonista, e uma série somente para a web que mostra detalhes inéditos que não foram ao ar. A estratégia de Dexter é uma forma de narrativa cada vez mais adotada por produtores: o transmídia.

“Transmídia é criar conteúdo que sejam uma extensão da narrativa principal, que permita aos telespectadores aprofundar o relacionamento com aquela marca”, diz Mauricio Mota, sócio fundador d´Os Alquimistas. A empresa carioca, uma das pioneiras nesse tipo de projeto no Brasil, possui uma filial na Califórnia de onde trabalha diretamente com os grandes estúdios e produtoras.

Além de aproximar os fãs das séries e abrir mais oportunidades para anúncios, o conteúdo em outras plataformas é uma maneira barata de testar novas ideias. – como a criação de um novo personagem em um seriado. “Produzir um episódio custa pelo menos 800 mil dólares. Mas lançar uma história em quadrinhos sobre o passado de algum personagem, como fez a série Heroes, custa menos de 6 mil”, diz Mota.

Com usuários cada vez mais dispersos em diferentes plataformas, a TV precisa brigar pela atenção e estar presente em todos os locais que o espectador possa acessar. Por isso, praticamente todas as empresas de entretenimento investem no conteúdo transmídia.  “Nossas produções para televisão são concebidas com um planejamento 360º : não apenas no mundo digital, mas com shows, músicas, etc..”, disse a INFO Cecília Mendoça, vice presidente dos canais Disney na América Latina. “Mas vale lembrar a máxima: o que as pessoas querem é uma boa história. Conteúdo ruim em 30 plataformas continua sendo conteúdo ruim”, diz Mota.

Leia post de 20/03/2012 sobre a campanha transmídia de Dexter aqui.


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04 abril, 2012

A FAN ART DE MATT NEEDLE – Entrevista exclusiva



(POST DE 29/04/2011 ATUALIZADO COM NOVAS IMAGENS) 
Esta é uma entrevista exclusiva com Matt Needle, ilustrador e designer gráfico que já desenvolveu trabalhos para a revista Wired e para a Nike. Matt busca inspiração na cultura pop, e tem se destacado no mercado internacional pelas suas peças baseadas em séries de TV e cinema.

Apesar de britânico, Matt prefere a TV americana. Ele acredita que esta nova tendência da fan art se deve ao fato de que, na última década, as produções de alta qualidade da TV a cabo trouxeram prestígio à mídia televisiva, atraindo um maior interesse tanto do público como dos artistas. 

Confira a entrevista:

Meditations In an Emergency: O que despertou seu interesse pela TV? Percebo que grande parte dos designers, que como você costumava se inspirar no cinema e na música para criar fan art, agora tem homenageado a televisão.

Matt Needle: Sou um grande fã de TV, desde criança, e nos últimos anos a TV ficou cada vez melhor, principalmente as produções americanas, mas algumas britânicas também (como a ótima Life on Mars, que teve um remake americano deplorável). Depois que a HBO começou a se destacar no final dos anos 90, as outras emissoras tiveram que correr atrás e elevar seus padrões. Séries como The Sopranos, Band of Brothers, The Wire e Six Feet Under prepararam o caminho para séries como Breaking Bad, Mad Men, Walking Dead, Sons of Anarchy e Boardwalk Empire. Torço para que esta tendência se mantenha no futuro.


Meditations In an Emergency: Artistas como Christina Perry e Dyna Moe (conhecidas pelos seus trabalhos com Mad Men) e Ty Mattson (Lost e Dexter) têm indo ainda mais longe e fechado contratos com as próprias emissoras. O website da ABC inclusive vende produtos Lost que vêm com uma etiqueta de “fan made”.

Matt Needle: Certas emissoras perceberam que, se os designers estão criando obras de qualidade baseadas nas suas séries, elas podem ter parte neste lucro. O que não deixa de estar certo. Mas temo que o designer que se envolvem neste tipo de negociação não vê boa parte deste dinheiro. Infelizmente não há muito a fazer, uma vez que as emissoras sempre podem processá-lo por questões de copyright. Por outro lado, é preciso levar em conta que esta prática está dando uma exposição bem maior para estes artistas, que antes só atingiam um grupo limitado de fãs.

Eu só desenho coisas que eu gosto e que me inspiram, seja TV, cinema, música, o que for.

Meditations In an Emergency Você planeja fazer mais tributos a Mad Men e outras séries? Você tem twittado bastante sobre Dexter. É sua nova inspiração? E quanto às séries britânicas?
Matt Needle: No momento não tenho planos para fazer mais ilustrações de Mad Men, mas nunca se diz nunca. Dexter é uma possibilidade. No que diz respeito à TV do Reino Unido, para mim 89% do que produzimos é ruim, com raras exceções. A maior parte da programação é chata, com um visual pobre e um formato que francamente já deu o que tinha que dar.










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03 março, 2012

O Futuro da TV: Temporada 2 Episódio 1


Lembra da websérie 2020 Vision sobre o futuro da TV que postei aqui? Pois agora o pessoal da Think TV está lançando a segunda temporada da série: “The New TV Landscape”. Desta vez o foco é no futuro da publicidade e dos anunciantes. Usando o mesmo formato da primeira série - entrevistas com especialistas da área -, a série explora o tema do futuro do mercado televisivo mundial através de cinco perspectivas diferentes: da mídia, da criatividade, do marketing, da pesquisa e das emissoras.

Os episódios serão lançados ao longo deste ano. Abaixo o primeiro.

EPISÓDIO 1: “A Media Perspective”.



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28 janeiro, 2012

Séries que ficaram marcadas na memória - e na pele - dos fãs


Já escrevi muitas vezes aqui sobre o comportamento dos fãs, e quem me conhece sabe que este é um assunto que me fascina. Tenho um carinho todo especial pelos fãs de TV, não só porque me incluo no grupo, mas porque tamanho fervor instiga minha curiosidade de pesquisadora. Para esta turma, uma série não é apenas um programa qualquer na tela na TV. É um lifestyle, uma forma de se definir, uma fonte de inspiração - e de aspiração. A expressão "vestir a camiseta" para eles (ou melhor, para nós) tem outro sentido. Até porque a camiseta, o boné ou a adesivo da série ficaram no século passado. Hoje os fãs estão optando por uma marca bem mais definitiva: a tatuagem. E, ao contrário do que se costuma pensar, não só só os fãs de ficção científica. As séries dramáticas, comédias e animações também aparecem em braços, pernas e costas pelo mundo afora. Arrependimentos? Quem sabe alguns se envergonhem de sua escolha daqui há uns dez anos. Outros talvez carreguem sua tattoo com orgulho para o resto da vida. E alguns, bem, talvez para alguns falte espaço no corpo para tanta paixão.

Sucessos dos anos 80 e 90: Alf e Um Maluco no Pedaço


Também dos anos 90: a inesquecível Twin Peaks


Arquivo X e Buffy, A Caça Vampiros


Entre as animações, Os Simpsons e South Park (abaixo)



A clássico da BBC, Doctor Who


Duas séries veneradas pelos sci-fi fans: Lost e Star Trek


Os deliciosos vampiros da HBO: True Blood 


Outra do gênero sci-fi: Supernatural, sucesso entre os teens

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08 julho, 2011

As mídias sociais e o fim dos perfis demográficos

Johanna Blakley, diretora do media think tank da University of Southern California, apresentou no TED Women de dezembro de 2010 um estudo sobre o impacto do entretenimento e da mídia sobre os nossos hábitos sociais e de consumo. Ela defende que os tradicionais “perfis demográficos” usados para definir o target e direcionar a comunicação das marcas não mais refletem com precisão a realidade do mercado. Muitas empresas, baseadas em rótulos simplistas e excludentes, “presumem” o que certos consumidores gostam. Mas para saber o que realmente está em suas mentes - e celulares, TVs, iPods, perfis no Facebook, armários, salas de estar, etc – é preciso saber a que grupos se conecta, quais seus gostos, suas comunidades online, seu comportamento e comentários nas redes sociais.

Quando pessoas se agrupam online, elas não o fazem exclusivamente baseadas em idade, raça, ou gênero. E sim em torno de gostos e interesses. Nas palavras de Blakley: “Para mim é bem mais útil saber que você é fã de Buffy, A Caça Vampiros do que saber qual é a sua faixa etária ou renda média, pois isto me diz muito mais sobre quem você é [ou gostaria de ser].”

Sim, soa um tanto “sinistro” - e é, de certa forma. Mas também não é nenhuma novidade. Já postei aqui sobre mídias sociais e a reinvenção dos níveis de audiência da TV pelo MIT Media Lab. Além disso, nossos hábitos já vem sendo monitorados por pesquisas de mercado e de audiência há décadas. A diferença é que 1) existem agora ferramentas mais aperfeiçoadas para isto, e 2) estamos vivendo muito mais “para fora”, constantemente exteriorizando e compartilhando nossas opiniões e preferências, tanto com conhecidos como desconhecidos online.

Assista ao vídeo da palestra com legendas em português, é só selecionar na parte inferior da tela.



29 maio, 2011

A reinvenção dos níveis de audiência

Já escrevi em outros posts sobre a TV social e o quanto o Facebook e o Twitter têm influenciado vários aspectos da TV, a ponto de serem referidos por Cory Bergman como “os novos corretores da TV”. Alguns aparelhos de TV já vêm até com apps pré-instalados para as redes sociais, e alguns receptores digitais já trazem um EPG (Electronic Program Guide) mais avançado que informa quais são os programas mais comentados das redes sociais.

E agora Michael Fleischman e Deb Roy, do prestigiadíssimo MIT Media Lab, prometem reinventar a medição da audiência televisiva, com seu novo projeto, a Bluefin Labs.

A proposta é solucionar uma questão que por mais de 60 anos preocupa emissoras e anunciantes: como medir o real envolvimento da audiência, e não apenas o consumo passivo de um programa ou comercial. Para isto, a Bluefin utiliza uma tecnologia que cruza dados de 43 canais americanos de TV aberta e por assinatura com três bilhões de comentários mensais nas redes sociais. A partir daí consegue mapear não apenas os programas e comerciais, mas as cenas, personagens e até palavras específicas que foram mais comentadas. 

Ainda em fase de testes, a Bluefin já tem projetos piloto com nomes de peso do mercado americano como Best Buy, Razorfish e FOX Sports.

Publicitários e marketeiros, wake up and smell the #hashtag. Se o seu produto ou programa não gera conversa, ele pode estar fora do jogo. (Às vezes dá até saudades dos idos tempos em que um comercial de 60’, um spot de rádio de 30’ e 10 outdoors nos pontos mais movimentados da cidade era tudo que se precisava...)


29 abril, 2011

O Futuro da TV - Episódio 4


O quarto episódio da série 2020 Vision, criado pela Think TV, já está disponível. O tema deste episódio é a evolução da publicidade, as novas oportunidades que surgem com as novas tecnologias, e as novas formas de interação com - e fidelização da - audiência. Para mais detalhes sobre o projeto clique aqui.
Episódio 4 – Evolution of Advertising:

Clique para assistir ao 4o episódio
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23 janeiro, 2011

Televisão + Pop Art (parte 2)

Life on Mars (UK) Board Game, criado por Garry Azzaro
Seguem mais alguns exemplos de fan art, descobertos logo depois do post Televisão + Pop Art, de 15 de janeiro, alguns deles enviados gentilmente por leitores.

São peças originalmente criadas por fãs, com valores que não passam de US$ 30 dólares. São portanto bem mais acessíveis do que as anteriormente citadas. Nada de galerias de arte, nem nada acima de quatro dígitos. Mas também nada de exclusividade.

Alguns trabalhos estão à venda nas próprias online stores das emissoras, como é o caso da ABC, que de olho neste rentável filão, utiliza etiquetas vermelhas estrategicamente colocadas ao lado dos produtos dizendo: “fan made”. Uma espécie de certificado de autenticidade que, presume-se, serve para persuadir o fã mais anti-consumista de que não se trata de um produto qualquer produzido em massa numa fábrica na China, mas sim uma peça manufaturada com todo carinho por alguém que divide com ele a mesma paixão pela série. Those clever marketing folks at ABC...

Wallpaper iHouse, criado por Magz19

Wallpaper iHouse, criado por Jason Stansell


Relógio LOST, com os hilários apelidos usados
pelo personagem Sawyer (ABC Store)
Adesivo Mad Men para laptop, criado por tittleandlobe

Ensaio fotográfico inspirado em Mad Men,de
Michael Williams, para a revista Haute Doll, Mar/Abr 2010

18 dezembro, 2010

TV por assinatura versus TV aberta – Parte 3: HBO e a arte de “não ser TV”

A TV a cabo nos EUA surgiu numa época em que o país vivia o clima moralista dos anos 1980, com um presidente republicano no poder e anunciantes boicotando programas “de mau gosto”. Assim a HBO já começava com uma vantagem competitiva: tinha carta branca para cruzar a fronteira do “aceitável” pelos padrões da conservadora middle-America, já que sua renda não vinha da publicidade e sim dos assinantes.

Enquanto TV a cabo transformava o que as pessoas assistiam na TV, o videocassete e o controle remoto transformavam a forma como as pessoas assistiam TV. E quem eram estes early adopters brincando com o controle remoto, assinando a TV paga, e alugando/ comprando vídeos? Boa parte deste grupo era formado pelo que se convencionou chamar de yuppies (young urban professionals). Estes jovens tinham nível superior, eram consumistas e entusiastas de novas tecnologias. Enquanto zapeavam, sua atenção acabou sendo capturada pela qualidade e sofisticação da programação da HBO.

A partir dos anos 1990 a empresa começou a investir em séries – o caminho para fidelizar o público. Com Larry Sanders Show (1992-98) e Oz (1997-2003), estabeleceu sua reputação de dar a roteiristas e produtores liberdade criativa para produzir séries polêmicas e inovadoras, o tipo que não sairia do papel na TV aberta.

Mas no final dos anos 1990 a concorrência tinha se intensificado, e para manter as exorbitantes verbas de produção era preciso trazer mais assinantes. Em 1998, foi ao ar a série que é um de seus maiores sucessos: Sex and the City (1998-2004), seguida de Sopranos (1999-2007) e Six Feet Under (2001-05). Estas séries quebraram paradigmas e trouxeram para a TV um tipo de prestígio e respeito da crítica que até então era reservado para o cinema. Todo este buzz contribuiu para definir a HBO como sinônimo de “televisão de qualidade”, o que acabou se tornando seu posicionamento de marca. A quantidade de prêmios recebidos sem dúvida contribuiu para cimentar esta imagem. Nos Emmys, o canal evoluiu de 6 indicações e 3 vitórias em 1988 para 86 indicações e 20 vitórias no ano 2000.

Como uma forma de oficializar seu compromisso com a qualidade e tirar proveito da popularidade de seus produtos, a HBO lançou em 1996 seu legendário slogan: It’s not TV, it’s HBO. Ao se auto-definir como “não televisão”, a HBO estava se diferenciando do “resto”, colocando-se acima do que é considerado “televisão”. Valendo-se do momento, em que era o darling não apenas da crítica mas também de uma elite formadora de opinião, a empresa utilizou a clássica lei de Al Ries: “Se não puder ser o primeiro numa categoria,  invente uma nova. Se todos os outros são televisão, a HBO seria a primeira na categoria “não televisão”. Conferindo-lhe suporte neste argumento estavam: a crítica mundial, as legiões de fãs, os inúmeros prêmios recebidos e os produtores, roteiristas e atores que migravam do cinema para a HBO devido à liberdade até então só encontrada nos filmes independentes.
Se usarmos o mesmo argumento para a HBO, podemos compreender o quão atraente é o conceito de ‘It’s not TV’ para seus mais 35 milhões assinantes (na época). É como uma permissão para assistir TV sem ser olhado com desdém. O slogan HBO não apenas sugere que a marca diferencia-se da “TV comum”, mas que seus telespectadores também podem se diferenciar dos ‘telespectadores comuns”.

30 novembro, 2010

A publicidade dentro da publicidade dentro da publicidade

A Unilever lançou nos EUA uma campanha publicitária para seis de suas marcas - entre elas o sabonete Dove e a maionese Hellmann’s - inspirada em Mad Men. Os comerciais foram veiculados no canal AMC durante a quarta temporada da série.


No lugar da agência fictícia Sterling Cooper Draper Pryce de Mad Men, temos a igualmente fictícia Smith Winter Mitchell, onde uma dupla de criação tenta em 60 segundos criar campanhas para as marcas do cliente Unilever. O clima, é claro, é de paródia, e os personagens do comercial são versões caricatas dos personagens da série. Mas a temática e o visual, desde a iluminação até o figurino, é extremamente similar a da série. O filme do sabonete Dove brinca inclusive com a idéia da secretária transformada em redatora, no mesmo estilo do personagem de Peggy Olson.

Se pensarmos que Mad Men já se utiliza de caricaturas de tipos específicos de uma época, então os personagens da campanha da Unilever seriam caricaturas de caricaturas. Temos aí um exemplo da TV fazendo uma paródia de si mesma. Só que não contextualizada dentro do próprio programa, como fazem frequentemente as comédias Os Simpsons, South Park, 30 Rock, ou Curb Your Enthusiasm (com a badaladíssima reunião do elenco de Seinfeld). Desta vez o texto não está dentro do texto, está fora dele, mais especificamente no intervalo comercial, que por sua vez está patrocinando o horário e tornando possível a transmissão da série.

Este efeito de eco faz lembrar a imagem do infinito descrita pela personagem Sally Draper no 12º episódio da 4ª temporada de Mad Men. A embalagem de manteiga da Land O’Lakes dentro da embalagem da Land O’Lakes dentro da  embalagem da Land O’Lakes... Mais uma vez temos o jogo de espelhos da publicidade, que é tema da série, e agora, tema também dos patrocinadores da série.

De acordo com Stuart Elliott do jornal New York Times, os comerciais da Unilever tiveram o efeito esperado. Expectadores assistindo a série através de DVRs (Digital Video Recorder) como TiVo e outros, que tendem a utilizar o comando fast forward para pular os blocos comerciais, acabaram pressionando rewind e assistindo os comerciais, pensando tratar-se da própria série.

A técnica não é nova. Nos anos 1960s os Cigarros Winston - que patrocinavam Os Flintstones na rede ABC - utilizavam-se dos personagens do desenho animado nos comerciais da marca.


Seria esta a solução para driblar os DVRs que ameaçam a publicidade tradicional na TV? No lugar do merchandising dentro programa, o programa dentro do merchandising? Ou, parafraseando Sally Draper, “a embalagem dentro da embalagem dentro da embalagem”. Talvez não seja Don Draper afinal, mas sim sua filha, o verdadeiro gênio da propaganda.

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