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24 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 1 dia



A FineBrothers acaba de criar um divertido vídeo interativo no estilo 8-bit, onde é o usuário quem determina o rumo que a história irá tomar. São três finais diferentes, dependendo das decisões tomadas. Se fizer a escolha certa, Don Draper pode acabar cheio de novas ideias, confiança e paz de espírito. Fazedo a escolha errada, é GAME OVER para Don...



Quer experimentar Mad Men The Game? Então inicie aqui:





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22 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 3 dias


A misoginia de uma época nem tão dourada assim

Anúncios sexistas e politicamente incorretos dos anos 50 e 60, que poderiam facilmente ter sido criados pela equipe da SCDP (apesar dos protestos de Peggy).

Não é de surpreender que mais tarde elas saíram ateando fogo aos seus sutiãs.... Mulheres, preparem-se para sentir o estômago embrulhar:














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13 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 13 dias



“Matthew Weiner no New York Times”

O criador e produtor executivo da série fala com o jornal New York Times sobre a tão aguardada nova temporada de Mad Men. Para ler a entrevista clique aqui.

08 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 17 dias

Este post não é sobre Mad Men. E, ao mesmo tempo, é. Trata-se de um documentário sobre um assunto constantemente abordado na série: a identidade feminina, e a forma como a cultura dificulta que nos enxerguemos de outra forma que não através do reflexo do olhar masculino.

E como hoje é o Dia Internacional da Mulher, fica aqui meu tributo às muitas Betty Drapers e Peggy Olsons que precisaram existir para que chegássemos aqui hoje, e ao longo caminho que ainda temos pela frente.

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"Girls Just Wanna Have Fun" 
O documentário 50 Anos De Mulher Objeto foi produzido pela TV pública espanhola (TVE) e dirigido por Isabel Coixet. Feito apenas com imagens de arquivo, o vídeo tem um efeito super tocante (em especial a cena editada com a versão de  Russian Red para Girls Just Wanna Have Fun, que deixa um nó na garganta). Imperdível.

Clique aqui  para assistir.


07 março, 2012

Contagem Regressiva Mad Men: 18 dias



"Mad Men on the Couch"

Dica de livro: Em “Mad Men on the Couch”, a psicanalista americana Stephanie Newman examina os aspectos psicológicos da série e das personalidades dos personagens sob a ótica da psicologia contemporânea. São exploradas questões como: Por que Don constantemente sabota a si mesmo? O que leva Betty a ser uma mãe tão fria? Como Peggy conseguiu prosperar em um círculo tão fechado e machista como o da Madison Avenue nos anos 60? 

Clique aqui para ler alguns trechos da obra, que infelizmente por enquanto está disponível somente em inglês. 

20 maio, 2011

Mad for Mad Men? 10 dicas para lidar com a crise de abstinência

A notícia arrasou milhares de fãs: Mad Men só volta à telinha em março de 2012. Para os mais fanáticos, a espera pela 5a temporada pode parecer interminável. Mas com um toque de criatividade, é possível imergir em um universo paralelo habitado pelos personagens, tudo regado a muito uísque e Lucky Strikes. Veja como:

1) Uma questão de química: A trama de Mad Men, assim como a vida de Don Draper, pode ser tão complicada que o Flavorpill criou a Tabela Periódica Mad Men. Você pode se divertir descobrindo as conexões entre cada um dos “elementos” (clique para ampliar imagem).



2) Fanfiction: Que tal escrever uma história baseada na série? O site Fanfiction.net já conta com 47 histórias de fãs de Mad Men (em inglês, francês e indonésio, mas ainda nenhuma em português). Uma das mais populares é a historia em que Don Draper acorda de um coma em 1974, e é visitado no hospital por todos os personagens (com exceção de Roger Sterling e Bert Cooper, que já estariam mortos).

3) Fan art: Invista em um poster, opções não faltam (veja aqui). Meu mais novo achado é o designer britânico Stan Chow, que recentemente foi ameaçado pelos advogados da emissora por copyright infringement. Mas os posters são tão bonitos que vou arriscar e postá-los aqui.




4) Você no vídeo: O site JibBab lançou o vídeo interativo Mad Men Starring You, onde você pode, gratuitamente, substituir o rosto de um personagem com sua foto e assim assistir a cenas originais da série onde você é a estrela.



5) Você na foto: No site FACEinHOLE, ao inserir sua foto no espaço indicado, você pode ser – ou posar ao lado de – um de seus personagens favoritos. Abaixo minha versão Betty Draper.



6) Party with style: Organize festas temáticas dos anos 60s. As "Mad Men Parties" já viraram febre, e você pode se inspirar checando as fotos de Angelina Santana (e) e de Chimay Bleue (d), ou visitar a comunidade Mad Men Party no FlickrAs dicas de coquetéis e de trilha sonora você pega no site da AMC.




7) Planejando uma visita a Manhattan? Então faça um Mad Men Tour. Dos bares P. J. Clarke’s e Oyster Bar até a loja Bergdorf Goodman, o tour leva você a uma viagem no tempo sem sair de 2011.


8) Pergunte ao Don: No site What would Don Draper do?, perguntas sobre os mais variados assuntos (de conselhos amorosos ao preparo de drinks) são respondidas por Don (bem, na verdade pelo criador do site, Michael Dempster). O mesmo vale para a Joan Holloway. Se você é fã da personagem, então mate a saudade enviando perguntas para ela em What Would Joan Do?

9) Cinemateca anos 60: Assista a clássicos da época, como: Se meu apartamento falasse (The Apartment), Os Guarda-Chuvas do Amor (The Umbrellas of Cherbourg), A Doce Vida (La Dolce Vitta), Confissões de uma Ladra (Marnie) e Moscou Contra 007 (From Russia with love). Ou a produções mais contemporâneas, como: Foi apenas um sonho (Revolutionary Road), Educação (An Education), e Direito de Amar (A Single Man).






10) Para ganhar (ou dar) de presente: A designer Dyna Moe, responsável pelo site Mad Men Yourself, lançou o livro Mad Men:The Illustrated World, que traz ilustrações lindíssimas inspiradas em várias cenas da série.



15 janeiro, 2011

Mad Men, Mad Americans

Meu artigo publicado no Caderno de Cultura do Jornal Zero Hora em 08/01/2011 (com o título "Glamouroso mundo do faz de conta"). Abaixo o texto na íntegra.

 


- “Quem é Don Draper?”, pergunta o repórter da revista Advertising Age, na cena de abertura da 4ª temporada de Mad Men. Esta é uma pergunta que a audiência aguarda resposta desde julho de 2007, quando a série de TV estreou nos EUA. O personagem de Don Draper, vivido pelo ator Jon Hamm (foto ao lado), é um enigma não só para o público como para ele mesmo, e sua tortuosa jornada de autoconhecimento, paralela à jornada da própria sociedade americana, é um dos elementos que torna Mad Men um dos mais ambiciosos e inteligentes projetos da história da televisão.

Favorita da crítica e premiada com 13 Emmys e 4 Golden Globes, a série do canal a cabo AMC já e distribuída para mais de 20 países e vem lentamente alcançando um número respeitável de fãs ao redor do mundo.

Mad Men é ambientada no glamoroso mundo da propaganda da Nova Iorque dos anos 1960. O título refere-se aos publicitários (em inglês “ad men”) da Madison Avenue, e é também um trocadilho com a palavra “mad”, que em inglês significa louco. A história começa na primavera de 1960, e somos apresentados a tipos ainda encaixotados dentro de padrões conformistas e machistas dos anos 1950. Estamos no período pré-Vietnã, pré-feminismo, pré-Prozac, e anos luz do politicamente correto. Como expectadores de um filme de suspense, nos deleitamos em ver os personagens serem surpreendidos pelo inevitável. Assim como Kennedy não consegue evitar a bala em novembro de 1963, os personagens não conseguem escapar do rolo compressor que está prestes a triturar seus valores, suas relações e sua própria identidade.

Trata-se de um complexo retrato da fantasia do sonho americano e do seu inevitável desmoronamento, habilmente representado na vinheta de abertura. Abertura que, conforme apontado pelo pesquisador Gary Edgerton (Old Dominion University), faz alusão não apenas a Um Corpo que Cai de Hitchcock, mas também a uma mórbida imagem do inconsciente coletivo americano, a do homem desconhecido jogando-se do alto do World Trade Center durante os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

 Detalhe da vinheta de abertura de Mad Men

The Falling Man, foto tirada por Richard Drew durante o
ataque de 11/09/01 ao World Trade Center
A série lança um olhar cético sobre os anos 1960, explicitando detalhes que usualmente são deixados de fora de dramatizações mais nostálgicas sobre a época. Trata-se de uma tendência recente, que pode ser observada em filmes como Educação, roteirizado por Nick Hornby, O Direito de Amar, de Tom Ford, Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes, e Um Homem Sério, dos irmãos Cohen. Nascidos entre 1957 e 1965, estes diretores/roteiristas vivenciaram a década como crianças, e propõem a releitura de uma era nem tão dourada quanto gostaríamos de acreditar.

No Brasil Mad Men pode ser vista na HBO, que em breve transmitirá a 4ª temporada. A série aqui conquista adeptos a passos mais brandos, e ainda está longe da popularidade alcançada na América e na Europa. Isto se deve em parte à demora no lançamento da 2ª temporada em DVD. Mas não é só isso. Uma das principais reclamações é seu ritmo lento. Contudo, uma edição mais acelerada não permitiria mostrar a complexidade e a desorientação dos personagens. Sua crise existencial pode às vezes ser mais bem expressa em longos silêncios do que em qualquer outro recurso de linguagem.

Imagem é tudo
No centro desta crise de identidade nacional está o protagonista, Don Draper, ele próprio uma mentira cuidadosamente bem construída. Ele não é quem diz ser. Ironicamente, seu trabalho é justamente vender o sonho americano. Don é uma pessoa por dentro e outra completamente diferente do lado de fora. Essa é a história da América”, explica seu idealizador, Matthew Weiner.

E esta é a história de todos nós. Não é por acaso que o público em 2010 se identifica com os personagens. Somos apenas suas versões pós-modernas, tentando fazer o melhor com o que o futuro nos joga a uma alarmante velocidade. Da mesma forma que nos reinventamos em perfis no Facebook, mascarando inseguranças atrás de avatares e belas fotos, a geração de Mad Men se protegia atrás de suas convicções, dos papéis pré-estabelecidos dos gêneros e da ilusão de perfeição. A diferença está apenas na quantidade de uísque, cigarros e tapinhas no bumbum das secretárias. No contexto da série, o machismo, o racismo e a homofobia são socialmente tolerados. Ninguém quer enxergar o ambíguo, o diferente. Assim como na publicidade da época, a ilusão de perfeição é o que conta.

Mulheres à beira de um ataque de nervos
As questões femininas são um tema constante, e a série foi apelidada de “a mais feminista da TV” pelo jornal Washington Post. Nas palavras de Jefferson Robbins, autor do excelente documentário Retro (sobre o trabalho de câmera e linguagem visual de Mad Men), a série desconstrói uma era em que “os homens eram homens, e as mulheres eram o que os homens permitiam que elas fossem”. Algumas cenas de fato são tão chocantes que não é de surpreender que na década seguinte as mulheres estivessem ateando fogo aos seus sutiãs.

Os arquétipos femininos e masculinos – e da família – são vistos através de uma lente de aumento. O mal causado pela fumaça dos cigarros (acesos incontáveis vezes durante cada episódio) talvez seja menos nocivo do que o dano emocional sofrido pelos personagens infantis. A falta de tato com que os pais transmitem valores fazem com que o público acima dos 40 anos enxergue um pouco de sua própria infância na tela. Só que é possível agora enxergar a insegurança atrás da rigidez destes pais.
 
A bela e engaiolada Betty Draper 
O drama já foi chamado de “essencialmente freudiano”. A personagem de Betty Draper (vivida por January Jones) foi inclusive votada “a pior mãe da televisão”. Mas é difícil não sentir compaixão por essa mulher enclausurada numa vida aparentemente perfeita. Como a personagem April Wheeler em Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes, a vida de casada é bem diferente do que ela esperava.

A vida no ambiente corporativo não é menos restrita. Os homens são geralmente filmados de baixo para cima, um enquadramento que simula o ponto de vista das secretárias. Estas usualmente aparecem chorando no banheiro, um toque tragicômico que lembra o clássico Se Meu Apartamento Falasse de Billy Wilder, filme que também é usado como referência visual para o interior da agência de publicidade.

Já a jovem profissional Peggy Olson (Elizabeth Moss) possui mais alternativas, mas paga um preço alto por elas. Ela não tem as curvas da femme fatale Joan Holloway (Christina Hendricks), mas é talentosa e conquista espaço no setor de criação da agência, território até então dominado por homens. Porém quando pede ao chefe um aumento, alegando que sua secretária ganha quase o mesmo que ela, Don responde: -“Então arranje uma secretária mais barata.”

Maturidade do meio
São projetos como este que provam que a dramaturgia televisiva vem aos poucos saindo da zona de conforto e passando por uma evolução na qualidade. Transformação liderada pela TV a cabo (especialmente pelo canal HBO), que por não possuir o mesmo compromisso com os níveis de audiência da TV aberta, pode ousar e oferecer aos roteiristas uma liberdade criativa semelhante à encontrada no cinema independente. O que, a longo prazo, tende a afetar a TV como um todo (Lost e House são exemplos recentes desta influência na TV aberta, assim como Capitu e Som e Fúria no Brasil).

Em Mad Men o resultado desta liberdade é um trabalho onde temas sensíveis como a solidão no casamento, a fragilidade masculina e a busca de aprovação social são abordados de uma forma original. Crédito para os produtores, por provarem que existe espaço para tramas psicologicamente densas na TV, e confiarem na capacidade do público de apreciar uma obra tão cheia de nuances. “Construa e eles virão”. Mesmo que lentamente.
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