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09 agosto, 2012

"Mad Men" meets "Girls"


A revista Advertising Age chamou o vídeo de “self-consciously postmodern meta-comical hipsterism” (e desconfio que não seja exatamente um elogio...). A campanha do novo app para iPhone da revista The New Yorker, que conta com a presença de astros de duas de minhas séries favoritas, Jon Hamm (Mad Men) e Lena Durnham (Girls), está dividindo opiniões. 

A primeira parte mostra Hamm como apresentador de um talk-show estilo anos 90, entrevistando Durham. A segunda parte é um vídeo apresentado dentro do programa, divulgando o app. Se você se perguntar: “Como é possível Jon Hamm não saber o que é um iPhone?”, ou: “Por que a entrevista acontece nos anos 90?”, você não está sozinho. Mas aparentemente quem questiona estes detalhes não entendeu a piada, ou não é hipster o suficiente para entender. Pode me incluir nesta lista. Apesar de ter adorado ver os dois juntos, o humor "too cool" acabou me remetendo àquele misto de decepção e embaraço que sinto quando assisto a um esquete do Saturday Night Live NY que tem absolutamente tudo para dar certo mas... não dá.

E você, o que achou? Assista ao vídeo (que foi também dirigido por Durham) abaixo:

29 julho, 2012

Em defesa dos inícios lentos



Girls, a nova série da HBO, divide opiniões. Em especial agora, que foi indicada a nada menos que cinco Emmys. Há quem diga que Lena Dunham – que escreve, dirige, produz e atua na série – é a nova voz da geração Y. Outros dizem que a série é tediosa e as garotas do título não passam de um grupo de narcisistas, sem rumo, mimadas e que só sabem reclamar.

Não estou aqui para defender a série nem Lena Dunham (embora respeite uma garota que aos 24 anos já tinha um filme premiado e um contrato com o maior canal de TV paga do mundo). Estou aqui para defender as séries que se dão ao direito de iniciarem lentas, que não têm intrigas mirabolantes nem dúzias de plot twists, vilões caricatos e protagonistas com as medidas e o cabelo perfeito. Para isto existem os folhetins (e a nova versão de Dallas).


Zosia Mamet, que também está no elenco de Mad Men


Gostaria de dar a seguinte sugestão àqueles que criticaram Girls após assistir a apenas um episódio: dêem mais uma chance à novata Lena (ou Hanna, seu alter-ego na série). Procurem assistir ao menos até o terceiro episódio, ou aos seus trabalhos anteriores, como o filme Tiny Furniture (2010) e as webséries Delusional Downtown Divas (2009) e Tight Shots (2007), e verão que as tramas se assemelham e até se complementam. Todas giram em torno de jovens mulheres tentando entender seu papel numa sociedade - real e virtual - que já não se choca com nada e que não lhes dá limites (exceto o financeiro, já que se trata da geração americana que teve a infelicidade de sair da universidade direto para um mercado em crise). Tudo isso temperado com uma crítica ácida aos tipos "criativos" novaiorquinos, que poderiam tranquilamente fazer parte de um roteiro de Woody Allen.

Pode ser que as meninas realmente exagerem no mimimi e no narcisismo, além de terem um gosto terrível em namorados – e às vezes também em roupas. Mas quem não era assim nos seus vinte e poucos anos, independente da geração, que atire a primeira pedra.


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