14 agosto, 2013

A dor e a delícia da TV escandinava



O solo mais fértil para a teledramaturgia de qualidade – em especial thrillers psicológicos - não é mais o americano nem o britânico. É a península escandinava. Os ingleses já sabem disso, e retransmitem sua grande maioria, sempre com sucesso de público e crítica. Os remakes também têm rendido bons frutos, como é o caso de The Killing e Wallander (com elenco do calibre de Kenneth Branagh), além de outros que já se encontram em fase de produção.

O fenômeno do “nordic-noir” não é tão novo. Nos anos 90 a bizarra minissérie The Kingdom, escrita e dirigida por ninguém menos do que Lars von Trier, impressionou audiências ao redor do mundo ao mesclar a estética crua do Dogma 95 com fenômenos sobrenaturais e suspense.

Sofia Helin na versão escandinava de The Bridge
Mas meu argumento baseia-se especialmente em dramas recentes. O primeiro é The Bridge, uma série policial sueco-dinamarquesa que gira em torno de vários assassinatos e de uma detetive com síndrome de asperger. O canal FX Brasil recentemente transmitiu o remake americano, com Diane Kruger no papel da brilhante policial, mas a atuação da sueca Sofia Helin é absolutamente impecável e, na minha opinião, muito melhor. A versão original pode ser assistida gratuitamente no Now ou no site Muu

O segundo caso é a série sueca Real Humans, que no Brasil já passou no canal pago Max. Classificá-la puramente como ficção cientifica seria simplista demais. Este belo – e amargo – drama é um tratado sobre a raça humana, sobre dignidade e solidão, que em momentos lembra a ternura de O Homem Bicentenário e em outros a crueldade de A. I. Inteligência ArtificialA história se passa num futuro próximo, onde os hubots (ou human-robots, como são chamados) estão à venda tanto para serviços domésticos como para prostituição. Mas quando os humanos começam a perder seus empregos e até suas esposas, a coisa muda de figura. Psiquiatras passam a tratar casos de atração por androides, advogados questionam a legislação, e grupos terroristas se formam para defender a raça humana. Numa alusão à escravidão, as máquinas também se rebelam e passam a lutar pela liberdade e aceitação social.

Se tiver oportunidade, não deixe de assistir a estas duas joias nórdicas que conseguem passear tão sutilmente entre o sombrio e o encantador.



3 comentários:

Edu Montel disse...

Que legal Sheron, de vez em quando eu tento ver coisas diferentes e nessas horas não há internet que ajude arrumar legenda rs. Vi outro dia a chamada de Real Humans e me interessou principalmente pela expressão dos robôs. The Bridge eu não conhecia mas já me cadastrei no Muu tbm. Obrigado pelas dicas :)

Sheron Neves disse...

Puxa que legal o seu input Edu! Fico feliz de poder ajudar. Esta é exatamente a ideia do blog! :-)

Aide Hernández disse...

Vendi-o, tente ver que se trata de Real humans... ótimo post

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